Educação e Desenvolvimento

Livros infantis ideais para cada faixa etária

Desde os primeiros meses de vida, o contato com a leitura e com as publicações em si deve ser estimulado como forma de promover o desenvolvimento integral da criança

Livros infantis ideais para cada faixa etária

O livro é uma ferramenta essencial para estimular a linguagem oral, a imaginação e a criatividade. Por isso, o incentivo à leitura não tem contraindicações e se tornou uma recomendação médica – existe, inclusive, uma campanha chamada “Receite um Livro”, organizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

De acordo com o médico Mário Roberto Hirschheimer, membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), estudos apontam que a arquitetura do cérebro é construída por meio das experiências vivenciadas. “Por isso, é importante oferecer cuidado, afeto e estímulos o quanto antes, até mesmo durante a gestação, para que a criança desenvolva, de forma plena, habilidades como pensar, falar e aprender”, defende.

Por volta do terceiro trimestre de gestação, os bebês já são sensíveis aos sons. Por conta disso, o professor Carlos Nadalim, coordenador pedagógico do blog Como educar seus filhos, ensina que os pais já podem começar a ler para os bebês que ainda estão no ventre materno, sobretudo a partir da 22ª semana, período em que a audição já está desenvolvida.

“Após o nascimento do bebê, a leitura em voz alta proporciona uma série de benefícios”, completa Nadalim que, enumera a seguir as principais delas:

  • Estreitamento da relação afetiva entre pais e filhos.
  • Aquisição de um vocabulário rico raramente encontrado nas conversas diárias.
  • Contato com frases mais extensas e estruturas sintáticas mais complexas.
  • Desenvolvimento da compreensão auditiva, determinante para a compreensão de textos.
  • Treinamento da memória auditiva de curto prazo, que permite armazenar e recuperar informação fonológica (verbal) a curto e longo prazo.
  • Estimulação do desenvolvimento da linguagem antes mesmo de a criança ser capaz de falar.

 

O professor acrescenta que há pesquisas indicando que, bebês entre 15 e 18 meses, tendem a aprender uma palavra nova a cada sessão de leitura partilhada e a relacioná-la ao objeto que representa. Portanto, é importante aproveitar o potencial de memorização que eles têm nessa fase.

Segundo o médico, crianças que iniciam o contato com a leitura desde cedo apresentam uma linguagem melhor desenvolvida e, no futuro, terão um desempenho acadêmico mais produtivo.

“A leitura desenvolve a atenção, a concentração e o raciocínio, estimula a imaginação e a curiosidade, ajuda a lidar com sentimentos e emoções, desenvolve empatia e ajuda a minimizar problemas de comportamento, como irritabilidade”, destaca.

Para Maria Valéria Machado Pugliesi, 46 anos, a leitura foi algo natural desde a primeira gestação. “Comecei a preparar um pequeno acervo juntamente com as peças do enxoval e, desde os primeiros meses de gravidez, criei a rotina de ler para a minha filha”, conta.

Hoje, a pequena Larissa está com 8 anos, e cultiva o prazer pela leitura. “Temos o nosso ‘momento do livro’ em que pegamos cada uma um livro de nosso interesse e ficamos juntinhas, lendo”, revela a mãe. E, seguindo os passos da irmã, Eduardo, 4 anos, também participa com seus livrinhos repletos de imagens.

Como escolher o livro para cada fase

“A leitura é uma brincadeira com palavras”, define o médico Mário Roberto Hirschheimer. Por isso, essa interação deve ser iniciada logo, afinal, é muito importante que o bebê tenha contato com os livros.

De acordo com Marileide Mantovani Pfleger, pedagoga e coordenadora de Educação Infantil do Grupo Educacional Amplação, de Curitiba, o texto escrito ou visualmente descrito deve estar contido de encantamento e ludicidade. “Deve convidar a criança a imaginar, a pensar sobre diferentes possibilidades de perceber a realidade, confrontando sempre com a imaginação”, justifica.       

O papel dos pais

“A brincadeira com livros ‘ganha status de leitura’ quando mediada pelo adulto que mostra, nomeia, identifica as cenas”, reforça a psicopedagoga Maria Cristina Natel, vice-presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp Seção São Paulo).

Ou seja, cabe aos pais desenvolverem esse potencial, transformando-o em um momento prazeroso e divertido. Na prática, não é preciso dispor de um longo tempo. Cerca de 10 minutinhos diários são suficientes. O que vale é manter uma periodicidade para desenvolver o hábito e, claro, interagir com o bebê.

“O foco é ser espontâneo e expressar afetividade, sem querer iniciar um processo precoce de alfabetização ou realizar atividade com finalidade pedagógica”, considera o médico.

Pensando nisso, Lígia Bazotti, 30 anos, sempre apresentou livros de banho, musicais ou apenas de imagens para a filha Olivia, de 3 anos. A intenção era estimular o interesse de forma tranquila.

“Há 1 ano e meio, quando estava grávida do Bernardo, reformei o quarto dela para a chegada do irmãozinho e criei o cantinho da leitura, com duas prateleiras com livros na altura dela para que ela pudesse pegá-los quando quisesse”, conta.

Hoje, o espaço contém livros sensoriais, musicais, com fantoches, com sons dos animais, com cheiro, com quebra-cabeça e a pequena já identifica as letras nos livros, além dos animais e as cores. “E mesmo sem saber ler, Olivia conta história para o Bernardo, com 10 meses, do jeito dela, olhando as imagens”, narra Ligia, que aparece ao lado dos filhos, na foto que ilustra a reportagem.

Faça a escolha certa!

Para dar uma mãozinha nessa tarefa, os especialistas indicam o tipo de livro mais adequado para cada fase, acrescentando quais estímulos podem ser desenvolvidos em todas as faixas etárias. Confira!

  • De 0 a 5 meses: escolha livros pequenos cartonados, de pano ou de plástico porque são mais fáceis de manusear. Também é importante apontar as figuras que estão no livro e dizer em voz alta o nome daquilo para o qual o bebê está olhando. Represente com gestos ou voz a figura que estiver indicando e imite os sons que o bebê fizer, observando a sua reação.
  • De 6 meses a 1 ano: opte por livros com texturas, figuras coloridas, ilustrações de animais e objetos que despertam a atenção. Versões com fotos de bebês são fascinantes e também podem ser usados para a ampliação do vocabulário de escuta. Nesse caso, nomeie cada parte do rosto do bebê (nariz, boca, olhos, testa, queixo) e aponte a parte correspondente no rosto do pequeno leitor. Essa prática ajuda a criança a aumentar o vocabulário e a entender que ilustrações representam coisas reais. Ajude o bebê a virar as páginas fazendo-o interagir com o livro.
  • De 1 a 3 anos: aposte em textos rimados (poesias, parlendas e letras de canções folclóricas) e ricos em repetições. Fábulas em versos também são ótimas alternativas. Invista ainda em livros com muitas ilustrações, possibilitando as práticas da nomeação, descrição de cenas e objetos e construção de enredos a partir das imagens. Livros com gravuras em diferentes formatos e texturas permitem à criança a exploração pelo tato.
  • De 3 a 6 anos: recorra a livros com histórias mais longas e menos imagens, em especial, contos de fadas e fábulas. Opte por obras de escritores clássicos e consagrados da literatura infantil, direcionando a criança para textos de qualidade. A partir dos 3 anos, ela passa a ter um vocabulário mais amplo. Nessa fase, recomenda-se ler histórias e pedir a colaboração do minileitor para ajudar a recontá-las. “Assim, a criança está consolidando a linguagem e, espontaneamente, permitindo a aquisição de novos conhecimentos”, considera Maria Cristina Natel.
  • De 6 a 8 anos: ainda com imagens, os livros dessa etapa já têm como característica histórias mais longas, com cenário e personagens definidos em termos de caráter: quem é do bem e quem é do mal. “Nessa idade, é fundamental que as crianças possam fazer idealizações com os heróis, rejeitando os vilões, pois os finais felizes proporcionam sentimento de segurança e apaziguam seus temores, abrindo novas possibilidades de resolução dos conflitos”, explica Maria Cristina.
  • De 8 a 10 anos: indicam-se livros com histórias estruturadas em começo, meio e fim, cujo enredo apresente uma situação de problema a ser resolvida e aborde temas que valorizem o convívio social, como amizade, respeito às diferenças, cooperação, entre outros.
  • De 10 a 12 anos: as histórias já podem ter enredos mais densos, com uma linguagem mais elaborada.  Diferentes gêneros textuais podem compor a literatura dessa faixa etária: contos, crônicas, novelas de aventuras ou sentimentais, mitos, lendas, ficção científica, policial e documentários.

(Foto: Arquivo pessoal)