Educação e Desenvolvimento

"Mudei de estado por causa da escola das minhas filhas"

Se você acha que morar perto do colégio é um grande esforço, conheça a história de quem mudou de vida por uma melhor educação

"Mudei de estado por causa da escola das minhas filhas"

Lu Florescer é estudante de pedagogia. Tem 30 anos e sempre morou na capital paulista, em apartamentos. Embora desejasse morar em uma casa, tinha medo. Mais que isso, considerava total loucura optar por esse tipo de moradia em São Paulo.

Mãe de Lorena (hoje com 7 anos), ela e o marido haviam decidido não colocar a filha na escola antes dos 4 anos. Porém, nesse meio tempo, nasceu Manoella, hoje com 5 anos. Então, a primogênita foi para a escola um pouquinho antes do previsto.

“Era um local possível financeiramente para nós e com o mínimo que eu esperava - uma pequena horta, cara de casa, aula de dança. A escola tinha nome de centro cultural, mas com o passar do tempo percebi que era uma instituição como qualquer outra tradicional, conteudista, pouco tempo para brincar, então, em menos de seis meses decidi tirá-la de lá e fazer um tipo de homeschooling”, fala a estudante.

Com duas crianças em casa, mais o medo de sair, ela não conseguia colocar em prática tudo que almejava. “Comecei a ficar naquela situação em que eu me sentia obrigada a procurar escola de novo para a mais velha. E foi me dando desespero. Passava dias angustiada, de verdade”, relembra.

Na metade de 2014, Lu se sentia encurralada: Lorena estava para fazer 6 anos, elas continuavam com o homeschooling, mas a mãe não possuía mais condições de continuar com essa dedicação exclusiva, porque queria estudar, além de já trabalhar como doula e consultora de amamentação.

Pelo Facebook, ela descobriu uma escola Waldorf pública em Minas Gerais, e agendou uma visita.

“Arrumei tudo e fomos. A estrada não tinha asfalto e a escola ficava em um bairro bem rural, ali só tem uma padaria e o supermercado mais próximo fica a 20 km de distância. Mas quando paramos o carro na frente da escola, meu coração disse: é aqui”, emociona-se.

O casal saiu da visita com uma casa pré-alugada, mesmo com os parentes se opondo à mudança, porque não entendiam como uma escola era tão importante na vida das meninas. A mudança se concretizou no início de 2015.

O marido de Lu começou a trabalhar para a prefeitura, como motorista escolar - inclusive é ele quem leva as filhas para escola.

“As meninas têm aulas de música, pintura. Estamos imensamente felizes e adaptados. Tomamos água da nascente, respiramos ar puríssimo, não temos televisão, não temos convênio, temos amigos amadíssimos, encontros culturais, tocamos violão em volta da fogueira”, conta a mãe.

Hoje ela dá aula de dança e violão para ajudar na renda, que caiu pela metade. “Mas vivemos o dobro. Tomamos leite de vaca fresco, tirado na hora, mudamos muito a nossa alimentação, temos acesso a orgânicos. E aqui o custo de vida é bem menor”, finaliza Lu, que continua fazendo faculdade de pedagogia à distância e vai a São Paulo apenas uma vez ao mês.

 

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(Foto: Arquivo pessoal)