Educação e Desenvolvimento

O que fazer quando um filho não respeita regras?

Por Helena e Joana Cardoso

Aprenda como responsabilizá-lo pelos próprios comportamentos

O que fazer quando um filho não respeita regras?

É comum, em algum momento da vida, a criança manifestar dificuldade de cumprir regras. Em casa já é muito difícil lidar com essa adversidade, mas quando isso acontece na escola ou qualquer outro ambiente externo, ainda há uma exigência maior de que você, de alguma forma, “conserte” esse comportamento.

Em geral, os pais não estimulam seus filhos a descumprirem as regras, então se isso acontece é porque eles não estão conseguindo que suas ordens sejam eficazes.

De alguma forma a educação saiu do controle. Isso gera uma sensação de impotência e, algumas vezes, até de constrangimento por não se conseguir “domar” o filho.

Não é possível generalizar a razão desses maus comportamentos, já que cada criança está descumprindo por motivos exclusivos do seu contexto familiar.

Porém, há um desafio que pode ser feito com os filhos que, muitas vezes, colabora para reverter essa situação.

Responsabilizar seu filho pelos bons e maus comportamentos é uma maneira para que ele aprenda que se dedicando ele terá bons resultados. Por outro lado, se ele não se esforçar para cumprir o que se espera dele, será punido.

Para tanto, gosto do desafio de fazer uma reunião familiar e objetivar, em um papel, tudo o que se espera do seu filho.

Deve ser escrito desde hábitos do dia a dia (como escovar os dentes depois de comer e antes de dormir) até regras de funcionamento da casa (por exemplo, não falar palavrão ou arrumar a própria cama).

Se houver crianças de diferentes idades, deve ser esclarecido o que cada uma deve fazer, de acordo com suas possibilidades. O papel com as regras deve ficar exposto em algum lugar, para que todos o vejam recorrentemente.

Tendo esclarecido o que deve ou não ser feito, é hora de explicar por que valerá a pena se esforçar para cumprir as regras.

Todo dia antes de dormir haverá uma conferência. Serão lidas as regras e pais e filhos refletirão se elas foram ou não cumpridas. Caso tenham sido cumpridos, os pais colocam uma estrelinha na agenda ou em um calendário da criança. Se não forem, ela não ganha estrela.

De tempos em tempos (a ser combinado com os filhos) a família faz uma apuração e se tiver sido alcançado o número mínimo de estrelas desejado (por exemplo, suponhamos que a apuração é quinzenal, então estabelecemos que é esperado, no mínimo, 12 estrelas para esses 15 dias) há uma premiação. Os pais escolhem qual será o prêmio, lembrando que não precisa ser um presente, nem nada comprado.

Por outro lado, deve ser combinado um número mínimo de estrelas que, se não for alcançado, haverá uma punição. Nesste exemplo de 15 dias, digamos que o mínimo de estrelas seria 8 (tudo isso são escolhas personalizadas pelos pais). Menos de 8 estrelas implica em, por exemplo, ficar uma semana sem acesso ao tablet. O castigo deve ser estabelecido também antes, para a criança ter o estímulo de fazer para evitar a perda e, por outro lado, para conquistar o prêmio.

De maneira alguma os pais devem negociar. Isso é o mais importante do desafio.

As regras devem ser claras e a criança precisa sentir que não haverá negociação após o início ou no fim do período. Caso contrário, será passada a mensagem de que há um jeito para que ela não sofra o castigo, por exemplo.

Como tudo na vida, esse não é um remédio para todo mal. O que funciona para uns não necessariamente funciona para todos, mas não há contraindicação - e costuma dar certo... Vamos tentar?

Por Helena Cardoso

(Foto: Getty Images)