Educação e Desenvolvimento

O que não pode faltar para os nossos filhos

Quando se fala de ensinar valores, a solidariedade é importante para a vida comunitária e para trazer paz de espírito. Ensinar as crianças a serem solidárias desde pequenas pode ser a motivação para experiências importantes no futuro delas

O que não pode faltar para os nossos filhos

Poderíamos viver em uma sociedade sem a solidariedade? Quanto da nossa vida comunitária e até pessoal depende desse valor? Solidariedade é emprestar a um colega o lápis que precisa ou priorizar o desejo de minha amiga em vez do meu.

É assim, aos poucos, que nossos filhos começam a entender como funciona o conceito: dar algo meu para o outro.

No colégio de freiras que eu estudava quando criança, nos ensinavam que a verdadeira solidariedade não é dar o que nos sobra. Essa ideia me incomodava um pouco (que criança gosta de dar seus doces?), mas com o passar dos anos eu fui entendendo.

Também compreendi que quando falamos de solidariedade, não nos referimos especificamente a dinheiro ou bens materiais: oferecer o nosso tempo, esse recurso tão limitado, é uma maneira bastante valiosa de ser solidário. E a pequena e magra irmã Francisca, que durante 6 meses ao ano era missionária na selva, vivia repetindo: ajudar traz felicidade a quem ajuda. É verdade. Se sentir útil dá uma sensação de bem estar.

Como pais, temos a responsabilidade de incentivar a consciência social. Em casa, o primeiro ensinamento que demos aos nossos filhos sobre isso é se colocar no lugar do outro. Acho que muita coisa seria melhor se nesse mundo apenas pudéssemos nos colocar brevemente no lugar do outro para ver com seus olhos e sob seu ponto de vista, o que faria a gente parar de ver as coisas apenas da nossa maneira.

Outro ensinamento fundamental: agradecer pelo que tenho, sabendo que é um presente que a vida me deu, e que nem todos têm essa mesma possibilidade. O que para meus filhos, felizmente, é algo habitual - como ir à escola, se vestir e poder comer uma boa refeição todas as noites na hora do jantar - para milhares de pessoas, infelizmente, é algo fora do comum.

Conhecer a realidade que existe além do ambiente onde eles convivem vai fazer com que valorizem o que têm e os fará adeptos de ajudar ao próximo. Novamente, não me refiro apenas aos sapatos novos ou ao brinquedo anunciado na TV: muitas outras crianças não têm a possibilidade de receber um simples abraço, ouvir uma história na hora de dormir ou mesmo um "eu te amo" do pai ou da mãe.

Na escola que escolhemos, incentivam o compromisso solidário e sempre damos apoio a esse tipo de iniciativa. Também, diante de uma situação de emergência (como uma inundação, por exemplo) incentivamos nossos filhos a colaborar com aqueles que perderam tudo. Ou, periodicamente, eles separam para doação alguns brinquedos, livros e roupas que não usam mais.

Participar diretamente de uma atividade também é uma forma de educá-los a ter consciência social: levar as doações a um domicílio, ir com eles para colaborar em uma ONG, plantar uma árvore em uma praça, reciclar e economizar a água em casa ou fazer desenhos para levar a um hospital infantil, são alguns exemplos.

A ação pode ser um incentivo para sua própria criatividade e eles até podem criar projetos que mobilizem sua escola, clube ou grupo de amigos. Amigos Transformando o Mundo - Heróis é a nova campanha de Inspire-se, Disney Cidadania que procura ajudar as crianças a encontrar uma causa inspiradora que os ajude a agir diante de uma realidade.

As crianças entre 5 a 18 anos de idade podem concorrer a uma bolsa para o seu projeto solidário e a Disney, junto com a Youth Service America, vai selecionar 50 propostas que receberão uma doação de 500 dólares para torná-las realidade. Além disso, qualquer pessoa que deseje ajudar pode votar entre 3 projetos sociais liderados por 3 jovens latino-americanos (com o apoio da ONG ASHOKA), que também precisam de uma doação para poder dar continuidade às suas iniciativas.

Todos tiveram uma pequena ideia, uma ilusão, um sonho. Plantar a semente da solidariedade em nossos filhos, talvez, no futuro, os leve a serem jovens líderes que possam inspirar e ajudar aos demais.

Por Adriana Santagati