Educação e Desenvolvimento

Que tal viajar para aprender?

Aproveite o feriado da Independência (ou o próximo recesso) para visitar destinos que marcaram a história do Brasil

Que tal viajar para aprender?

Ah, as aulas de história nos tempos de colégio! Quantos personagens, quantos lugares, quantos acontecimentos. Não seria muito mais fácil lembrar de todos esses detalhes se pudéssemos rever alguns desses fatos históricos?

Tudo bem que ninguém ainda inventou uma máquina do tempo, mas visitar um lugar carregado de história pode ser uma maneira muito mais eficiente – e divertida – de aprender e estimular seu filho a se envolver mais com os fatos que ocorreram anos atrás.

“A história está em todos os lugares. É muito importante para o nosso desenvolvimento promover esta valorização do passado”, diz Alexandre Hecker, professor de História da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Com a ajuda dele e também de Marcos Monteiro, professor de história do Ensino Médio do Colégio Visconde de Porto Seguro, preparamos seis opções de roteiros para você e seus filhos vivenciarem momentos marcantes da nossa história.

Salvador (BA)

A cidade baiana já recebeu o título de capital do Brasil – na realidade, foi a primeira, entre 1549 e 1763.

Naquela época, a região Nordeste era o maior centro produtor de cana, altamente explorado pelos colonizadores portugueses, e Salvador tinha uma posição estratégica que a ligava aos grande polos produtores. Por isso a escolha.

Por ser capital da colônia, a cidade reunia uma alta quantidade de escravos, sendo extremamente influenciada pelos costumes africanos.

O período também se mostra na arquitetura da cidade, ainda preservada na região do Centro Histórico, também declarado Patrimônio Mundial da Unesco.

Um dos pontos  turísticos mais importantes da região, o Pelourinho, era uma legítima representação de poder, já que os escravos eram castigados ali.

  • Visite: Forte de Monte Serrat, Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Museu da Cidade e Pelourinho (foto acima).

Brasília (DF)

Brasília

"A atual capital é um destino muito importante, não só pela maneira como foi organizada, mas também por sua representatividade no século XX”, sugere Alexandre Hecker.

Planejada pelo urbanista Lúcio Costa e pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer, foi construída em cerca de 5 anos e inaugurada em 1960. Virou símbolo da gestão do então presidente Juscelino Kubitschek.

Considerada Patrimônio Mundial pela Unesco, possui a maior área tombada de todo o mundo.

“Vejo a cidade como um bom exemplo de utopia urbana. Foi construída para que tudo fosse igual a todos, mas esse projeto não se estendeu”, diz Alexandre Hecker. Hoje, Brasília atrai olhares do mundo todo – mas nem sempre por bons motivos.

  • Visite: Memorial JK (foto acima), Congresso Nacional, Praça dos Três Poderes e Parque da Cidade.

Ouro Preto (MG)

Ouro Preto

Famosa por seus casarões coloniais, suas ladeiras e ruas de pedra, foi a primeira cidade brasileira a receber o título de Patrimônio Mundial da Unesco.

No passado, era chamada Vila Rica – nome que representava a abundância do ouro na região. Aliás, os diversos impostos cobrados pela coroa portuguesa sobre a extração do minério levou ao acontecimento de um importante episódio na história brasileira: a Inconfidência Mineira, em 1789.

“É uma grande contradição que o primeiro grande ato pela liberdade do Brasil seja chamado de inconfidência, que quer dizer traição”, aponta o professor Alexandre Hecker.

Também foi durante esses acontecimentos que surgiu Tiradentes, hoje aclamado como um dos principais heróis da independência do país. Após ser enforcado, o dentista - daí o apelido - teve sua cabeça exposta em praça pública na cidade.

  • Visite: Museu da Inconfidência, Praça Tiradentes, Museu da Mineralogia e Santuário Nossa Senhora da Conceição.

 

Porto Seguro (BA)

O lugar onde tudo começou não poderia ficar de fora da lista! Junto com os municípios de Santa Cruz Cabrália e do Prado, Porto Seguro foi o local por onde chegaram os primeiros portugueses, em 21 de abril de 1500.

Alguns dias antes os navegadores já tinham avistado terra firme, essa que chamaram de Monte Pascoal. A região ainda conserva lugares importantes da nossa história, como o local onde foi rezada a primeira missa e construções da época.

“Visitar esses pontos é algo muito interessante. É possível, por exemplo, ver como algumas igrejas foram construídas na época, com ossos, pedras e até banha de baleia”, explica o professor Marcos Monteiro.

  • Visite: Museu do Descobrimento, Casa de Câmera e Cadeia, Parque Nacional do Monte Pascoal, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Pena.

 

Rio de Janeiro (RJ)

Quem busca vivenciar o século XIX, período em que a família real portuguesa viveu no Brasil fugida das guerras de Napoleão Bonaparte, precisa visitar a capital fluminense.

“Depois de Paris, o Rio de Janeiro é a cidade com mais monumentos em praças. São estátuas, bustos e outras referências a personagens que merecem uma boa observação”, recomenda Alexandre Hecker.

Capital do Brasil de 1763 a 1960 e casa da família real por 12 anos, o Rio de Janeiro foi a única cidade do mundo a sediar um império europeu fora da Europa. Nesse período, o Rio de Janeiro experimentou um rápido e amplo desenvolvimento.

Foram construídas estradas, escolas, museus, bibliotecas e feitos diversos outros investimentos. Também foi aqui que aconteceu outro fato que mudou o rumo da nossa história: a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que acabou com a escravidão no Brasil.

  • Visite: Palácio Tiradentes, Paço Imperial (foto acima), Quinta da Boa Vista e a Biblioteca Nacional.

 

Sete Povos das Missões (RS)

Compreende um conjunto de sete aldeamentos indígenas e representa um importante capítulo na história do Rio Grande do Sul.

São eles: São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio. Foi fundado por jesuítas espanhóis e palco de diversas guerras guaraníticas.

“A região era ocupada por espanhóis e foi cedida aos portuguesas no Tratado de Madrid. Diversos conflitos aconteceram no momento das ocupações e os espanhóis receberam o apoio dos índios da região”, explica o professor Marcos Monteiro.

Entre os principais pontos de visitação estão as ruínas jesuítas e as reservas indígenas.

  • Visite: Ruínas Jesuítas de São Miguel das Missões, Sítio Arqueológico de São João Batista e Catedral Angelopolitana.

 

(Fotos: Setur/ DF [Brasília], Fernando Helbert/ ASCOM PMOP [Ouro Preto], Alexandre Maciera/ Riotur [Rio de Janeiro], ASCOM Porto Seguro [Porto Seguro], Max Haack/ Ag. Haack [Salvador]/ Divulgação)