Educação e Desenvolvimento

Quer dar um presente superespecial? Conte histórias!

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

A contação de histórias estimula o imaginário infantil e ajuda a razão a concretizar objetivos, numa transposição de imagens que escapam ao tempo cronológico

Quer dar um presente superespecial? Conte histórias!

Uma vez li que parar e contar uma história para o filho se tornou um evento. É verdade e é uma pena perceber que uma tarefa que deveria ser natural - e até intimista - agora é um evento social. 

Não me incomoda ser evento. Respeito muito o trabalho de contadores de histórias e de atores que recriam o universo de determinado autor, envolvendo lindamente as crianças em universos cheios de inspiração. E meus filhos iam muito a contações de história quando eram pequenos, o que me faz crer que, assim que puder, a caçula vai amar também. 

Enquanto isso, a gente vai contando histórias em casa, pois acreditamos muito no valor desse momento para a formação da criança.  

Cresci com essa tradição familiar, pois minha Batian (avó japonesa) era exímia contadora de histórias, ou melhor, “cantadora”, pois tudo vinha com um teatro e canções no seu idioma natal. Aprendi algumas coisas de japonês assim, antes mesmo de ser alfabetizada em português, e descobri que a tradição oral preserva um elo fantástico entre gerações.  

Sempre digo isso aos meus pais, incentivando-os a fazerem o mesmo para meus filhos. Meus garotos, já grandes, estão naquela fase em que se divertem com as histórias de pescador ou do tempo do Exército do avô, tanto quanto amavam as histórias bíblicas que a vovó lhes contava quando eram pequenos, como Manu é hoje.

E assim noto que eles também repetem o ciclo, pois pego os três em longas conversas que envolvem a criatividade de contar, imaginar e inventar aventuras. 

“A criança está inicialmente disponível e aberta a todas as possibilidades e é muito importante que se desenvolva essa disponibilidade original, essa atitude de liberdade criadora, para formar um cidadão livre, capaz de iniciativas, de invenção, de escolha pessoal, de resistência aos condicionamentos ambientes”, explica a narradora e educadora Vanessa Valente, do Grupo Prana. 

Meu marido fazia o mesmo para os meninos. Uma das histórias inventadas por ele, A Lenda do Mestre Fazedor de Cerâmica, durou uns 5 anos, sendo construída à beira da cama, na hora de colocá-los para dormir. Depois dessa, veio o Juquinha, O Menino da Perna de Pau, que também arrancava risadas e deixava os meninos em estado de alerta para saber o “próximo capítulo” na hora de dormir. 

Especialistas em educação e comportamento infantil afirmam que a contação de histórias estimula o imaginário infantil e ajuda a razão a concretizar objetivos, numa transposição de imagens que escapam ao tempo cronológico. 

E quando a gente inventa, pode incluir até situações que parecem difíceis de lidar na vida real, mas soam mais palatáveis na ficção, sob a pele do personagem - não a nossa. 

Vamos nessa? Contem mais histórias por aí. As crianças certamente agradecerão e esse presente (o seu tempo doado com carinho) será um dos mais valiosos da vida!

(Foto: Arquivo pessoal)