Educação e Desenvolvimento

Teatrinho é uma oportunidade de aprender brincando

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Se não dá para ir ao teatro sempre ou falta uma "escolinha" por perto, que tal brincar de encenar?

Teatrinho é uma oportunidade de aprender brincando

Levante a mão quem não tem lembranças fortes de experiências com teatro na escola.

Do prazer do aplauso à angústia do medo de errar, todos temos alguma lembrança relativa às brincadeiras ou experimentações teatrais que os professores insistem em criar ao longo da nossa vida escolar.

Minha última vez como aluna-atriz foi na faculdade, na aula de Psicologia Social, e confesso que foi libertador atuar numa recriação de uma das peças de Nelson Rodrigues.

Não parece ter nada a ver comigo - embora eu tenha ido algumas vezes ao teatro ver montagens dele e indique o livro de Ruy Castro com sua biografia para muiita gente! Não sou eu, mas naquele momento, foi bem legal ser! :)

Creio que esta é a mágica das brincadeiras teatrais. E não estou só nesta convicção.

Muitos especialistas, como Ingrid Dormien Koudela, consultora do Ministério da Educação, são categóricos ao afirmarem que o contato com a linguagem teatral ajuda crianças e adolescentes a perderem continuamente a timidez, a desenvolverem e priorizarem a noção do trabalho em grupo, ao se saírem bem de situações onde é exigido o improviso e a se interessarem mais por textos e autores variados.

O teatro é um exercício de cidadania e um meio de ampliar o repertório cultural de qualquer estudante.

Um dos meus melhores amigos, Max Reinert, é dramaturgo e há 20 anos mantém uma companhia de teatro em Santa Catarina. Quando meus filhos começaram a ter aulas de teatro, foi ele quem me deu mais força.

“O teatro tem tanto a oferecer para uma formação saudável da criança que é difícil entender porque não recebe mais apoio para sua produção e circulação. Com certeza, pais sensíveis, que compreendem a importância dessa experiência, vão oferecer essa possibilidade e perceber o quão grande é a contribuição para o desenvolvimento de seus filhos”, comentou.

E se não dá para levar ao teatro sempre nem tem aulas de teatro perto ou fácil para vocês, que tal criar brincadeiras teatrais com os filhos?

Afinal, crianças e jovens adquirem muitas competências sociais representando uma situação ou história. Ao assumirem diferentes papéis - um idoso, uma mãe, o mocinho, o vilão - ganham em conhecimento e empatia.

Além disso, aprendem novas formas de comunicação, gerenciamento de conflitos, compreensão de diferentes pontos de vista e adaptabilidade para gerirem o estresse futuro!

Deixo aqui algumas dicas para começar a usar essa atividade para desenvolver muitas “competências” nas crianças:

  • ídolos e perfomances: é natural em meninas e pode ser aproveitado para deixar a criatividade e talento dos garotos ganharem espaço também. Basta criar um revezamento para cantar com ou sem coregrafias (e alguns aplicativos e jogos de videogame ajudam muito!) e liberar a alma artística, ensinando a dar a vez para o outro, esperar o seu momento para brilhar, aplaudir e vencer o medo de errar.
  • criar uma história com base em algo que a turma vive ou precisa aprender. Numa das apresentações de teatro dos meus filhos na escola, o tema escolhido foi o bullying. Eles criaram a peça, escreveram as falas e o roteiro, o que acabou sendo uma “terapia em grupo” para um problema que os afligia. Em outra, mais recentemente, a turma toda encenou passagens da história do Brasil na época da Abolição da Escravatura e, com isso, fixaram os nomes dos personagens históricos e a ordem dos fatos.
  • fantoches e teatro de sombras: para quem tem filhos pequenos, pode ser o melhor caminho para começar a fantasiar e a atuar. É um instrumento muito interessante para iniciar conversas, agir fora das situações corriqueiras e desenvolver a fala e a imaginação criativa. Além disso, como experimento aqui com meus filhos de idades bem variadas - de 2 a 15 anos -, é uma das atividades mais democráticas, pois dá espaço para todos.

 

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(Foto: Arquivo pessoal)