Família

Eu pareço boa mãe, mas...

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Eu não acredito que existam mães perfeitas. Que atire a primeira pedra quem nunca tenha feito um item dessa lista!

Eu pareço boa mãe, mas...

Outro dia eu presenciei o discurso de uma mãe perfeita. Segundo ela, seu filho não teria a escolha de desobedecê-la - afinal, "o grande problema da atualidade são pais que não sabem se impor perante os filhos".

Ah, seu filho teria sempre a hora certa para comer, para dormir, não assistiria à televisão até completar cinco anos. Tablet com músicas infantis? Imagine, ela nunca precisaria recorrer a esse recurso.

Segui ouvindo à certa distância a conversa dessa mãe com uma amiga, quando me dei conta de um fato importante: ela estava grávida! Foi então que toda aquela perfeição fez sentido para mim - afinal, o filho, também perfeito, a quem ela se referia, ainda estava para nascer.

Enquanto eu ouvia todo aquele papo, foi inevitável que eu fizesse uma comparação com a maternidade que exerço com minha filha.

Eu não me considero das mães mais "piradas" que conheço - até que sou bem normal, tento seguir uma rotina consistente, faço questão de que Catarina se alimente bem, durma cedo para acordar bem disposta, tenha uma boa relação com as pessoas ao seu redor...

Quem vê de longe, poderia até me confundir com uma mãe perfeita, mas devo alertar que estou bem longe disso. E vou contar o porquê.

Eu pareço boa mãe, mas...

  • Consumo guloseimas escondidas (como chocolate) quando a pequena está longe, ou depois que ela dorme. Sabe aquelas delícias açucaradas que você não quer dar para uma criança pequena, mas salvam qualquer TPM? Elas continuam escondidas no fundo do meu armário, e saem de lá sorrateiramente quando Catarina está à distância!
  • Pulo vários trechos da história antes de dormir (de preferência, sempre os mesmos, para a pequena não perceber). Porque tem cada livro enorme, que só mesmo encurtando a história (antes que os MEUS olhos fechem!).
  • Já deixei que minha filha dormisse sem tomar banho. Naquele dia em que seu cansaço era tão grande que ela daria um escândalo ao botar os pezinhos na água, eu passei um lencinho umedecido e dei um belo "banho de gato".
  • Tirei as pilhas daquele brinquedo que ela adorava - mas que fazia um baulho infernal!
  • Coloquei beterraba no suco de melancia. Sabe aquela máxima de que você sempre tem que mostrar para a criança o que ela está comendo? Que não deve esconder legumes e verduras na receita? Pois bem: às vezes eu conto exatamente o que a pequena vai comer e, em outras, apelo para a "camuflagem", sem culpa.
  • De vez em quando uso a mesma estratégia que ouvia na infância: "Na volta a gente compra".
  • Deixei que a pequena ficasse mais de uma hora jogando no tablet para terminar um trabalho de última hora.
  • Disse que se ela não aprendesse a comer sozinha não poderia entrar no restaurante para jantar com as princesas na Disney (e funcionou, viu?).
  • Deixei que ela acreditasse que eu sou a fada do dente (certa vez, meu marido contou essa história para ela e a pequena acreditou! Eu achei tão fofo, que não consegui desmentir!).

 

Será que alguém se identifica?

(Foto: Parker Knight/Creative Commons)