Família

5 coisas que eu não entendia na minha mãe (até virar uma!)

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Quando você passa do papel de filha para o de mãe, compreende muito daquilo que sua própria mãe queria dizer!

5 coisas que eu não entendia na minha mãe (até virar uma!)

Toda mãe já foi filha também. E não faz muito tempo, estávamos em pé de guerra com nossas próprias mães para voltar mais tarde para casa na noite de sábado, não entendíamos porque a louça não poderia ser lavada na manhã seguinte (na minha casa, tinha que ser logo depois do jantar, sem exceção) ou porque o dinheirinho que a avó tinha dado no aniversário ia para a poupança, e não poderia ser gasto com mil bichos de pelúcia. 

Mas o tempo passa, e com a chegada de um filho, muitas das coisas que você discutia, das quais discordava, acabam fazendo sentido.

Claro que cada mãe é uma mãe e ninguém precisa tomar as mesmas decisões, nem fazer as mesmas escolhas que presenciou em sua infância, mas é natural que a maternidade (e a maturidade) traga um maior grau de compreensão das situações da vida. E é por isso que hoje eu entendo o seguinte:

- Que um simples nariz escorrendo pode dar muita dor de cabeça. Todas as vezes em que eu pegava um resfriado, via uma grande dose de preocupação nos olhos da minha mãe. Parece absurdo, não é? Pois foi o que eu disse a ela, em maio de 2012, quando minha filha Catarina começou a apresentar coriza. Menos de uma semana depois, a pequena estava internada na UTI, com uma bronquiolite terrível. E finalmente eu entendi a profundidade do olhar da minha mãe.

- Que existem amigos que são (e outros que não são) para você. Minha mãe era daquele tipo que levava todos os coleguinhas das filhas para casa - ela queria saber como se comportavam, o que pensavam e como eram suas famílias. E vez ou outra deu um jeito de desestimular certas convivências, por acreditar que elas não eram benéficas. Se naquela época o fato não fazia muito sentido, atualmente me parece óbvio: é o velho "me diga com quem andas, e te direi quem és".

- Que há riscos que não valem a pena. Eu me lembro de uma brincadeira que meus primos costumavam fazer na casa da minha avó, durante a minha infância, e que eu era terminantemente proibida de participar: andar sobre o telhado. Para mim parecia algo tão divertido, inofensivo, que não entendia qual era o grande problema. Hoje, eu faria exatamente a mesma coisa com Catarina, porque sei que há certas diversões que não compensam o risco de que algo (muito) ruim aconteça.

- Que poupar é um hábito, que deve ser estimulado desde cedo. Dê uma nota de R$100,00 a uma criança e diga que ela pode gastar tudo com os brinquedos que desejar ou pode guardar, para um dia comprar algo ainda melhor. Sabe o que a grande maioria dos pequenos escolherá? Torrar o dinheiro todo imediatamente, claro! É muito mais gostoso saciar um desejo de maneira imediata, não é verdade? Mas esse é um aprendizado importantíssimo para a vida inteira e hoje eu agradeço minha mãe por ele.

- Que é melhor exigir de um filho, do que deixar que a vida exija. Quantos foram os momentos em que minha mãe não deixou que eu desistisse de algo pela metade (mesmo que, entre lágrimas, eu dissesse que detestava a aula de educação física, ou que não sabia se queria mais cursar aquela faculdade)! Quantos foram os dias em que ela me disse que a lição de casa poderia ter sido mais caprichada - e era verdade, porque ela também sabia elogiar quando tinha sido bem feita -, que frio não era motivo para deixar de ir à natação. E terminava dizendo: se eu não te ensinar o certo, vai doer mais deixar que a vida te ensine! O que dizer sobre isso, se não que ela tinha toda a razão?!

(Foto: Getty Images)