Família

Coisas que só uma mãe que vive longe da família entende

Quando há crianças na história, morar distante dos parentes amplifica as dificuldades e a saudade

Coisas que só uma mãe que vive longe da família entende

Ali atrás, no alto da solteirice e da independência, muitas pessoas desejaram estar a quilômetros de distância de pai, mãe e irmãos. E isso não é porque não houvesse amor. É que, às vezes, precisamos nos sentir livres, autores da nossa própria jornada, sem cobranças ou satisfações constantes.

Do mesmo modo, a distância geográfica pode ser movida pelo desejo de melhora na qualidade de vida ou uma oportunidade incrível de emprego. Poder viver essas experiências, sejam elas quais forem, é muito positivo. No entanto, sempre carregam consigo algum tipo de ônus. A saudade costuma ser o primeiro e principal deles.

Quando a vida se assenta e filhos entram no script, tudo se amplifica. A saudade fica maior, as dificuldades em não ter uma rede de apoio passam a existir e até a menor das distâncias geográficas parece triplicar de tamanho.

Conversamos com algumas mães e descobrimos o que as fazem sofrer mais por estarem longe de sua família. Será que você vai se identificar com esses depoimentos?

1. Não ter a quem pedir ajuda  
“Não ter a família por perto é não ter plano B quando temos imprevistos. A quem recorrer? Como pedir ajuda para alguém que você não tem intimidade ou que a Nina não conhece?”, pontua Renata Maglioga, que vive em Belo Horizonte (MG), longe da família, em São Paulo (SP).

2. Não ouvir que “uma hora vai passar”
“Depois que minha filha nasceu, sinto falta da minha raiz, de ter gente que me conhece desde sempre e que já passou por tudo que passo hoje em dia e sabe que uma hora vai passar”, fala Danielle Calatroni Cardoso, de Sorocaba (SP). Seus parentes vivem em Vitória (ES).

3. Não poder desabafar cara a cara
“É difícil não ter com quem contar quando me sinto exausta e preciso conversar, desabafar, chorar, porque Skype e telefone para mim não têm o mesmo efeito que cara na cara. Ainda não consegui fazer nenhuma amizade, então, a solidão é bem grande”, conta Alessandra Cristina Dapper, de Vila Velha (ES), bem longe da família, em Porto Alegre (RS).

4. Não conseguir ir para o hospital com o marido
“Não posso mais ficar doente, nem meu marido. Não temos com quem revezar, a quem pedir ajuda. Ele ficou doente e foi para o pronto-socorro sozinho, supermal de dengue, porque eu não podia ir com a Nina junto, expondo-a a tantos casos de gripe, H1N1 etc.”, argumenta Renata Magliocca.

5. Não poder brigar com os irmãos
“Sinto muita falta de, simplesmente, ir comer um doce com minha mãe e minha tia, de conversar por horas com minha avó, de brigar por nada com meus irmãos. Mas sinto falta, falta mesmo do abraço e do cheiro da casa de mãe”, emociona-se Vladia Freitas de Sousa, de Fortaleza (CE), há mais de 10 anos em São Paulo (SP).

6. O filho não ter a vó para “amenizar” as broncas
“O mais difícil é ajudar meu filho Miguel, de 6 anos, com a saudade das avós, dos tios, das festas em família, das ‘artes’ que a vovó ajuda a amenizar, das brincadeiras que só faz com os primos, do final de semana agitado com almoços em família, dos aniversários que não podemos estar perto”, lista Kézia de Souza Marques, mineira que hoje reside em São Paulo (SP).

7. Não ter quem ajude o filho doente
“A maior dificuldade para mim é quando Catarina fica doente, porque é muito complicado deixar sua filha doente e sair para trabalhar. A gente nunca acha que tem alguém que cuide tão bem quanto nós mesmas ou alguém da família”, lamenta Juliana Motta, de São Paulo (SP), enquanto a família está em Praia Grande, litoral sul do Estado.

8. O filho não entender a distância 
“Como explicar para a criança de 19 meses que o vovô não mora no Skype, que a vó Tetê não vive no helicóptero que passa aqui todos os dias? Outro dia, Nina quis pegar um brinquedo que meu pai mostrou pelo Skype. Foi a maior choradeira, porque não entendeu que não estava acessível”, revela Renata Magliocca.

9. Não ter a família babando no berçário
“Meus irmãos não estiveram no meu casamento, eu não fui ao deles, não vi meus sobrinhos nascerem e ninguém viu minha filha nascer. Sabe aquela cena da maternidade, com todos os tios e avós babando seu bebê no berçário? Não tive. Foi um vazio sem fim”, comenta Priscila Massuda, de São Paulo (SP). Seus pais e irmãos mudaram para os Estados Unidos há mais de 10 anos.

10. Não participar das festas e conquistas
“Minha família não esteve perto nos momentos mais importantes: na colação de grau, no meu casamento, na compra da minha casa própria, no nascimento da minha filha. Fazem muita falta, em tudo, até nas coisas mais corriqueiras da vida”, diz Tatiane da Silva Alves, de Campinas (SP), que deixou a família na Bahia há 13 anos.

(Foto: Getty Images)