Família

Explicar é melhor do que impor

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Se você não acredita nesse tipo de educação, faça o teste com seu filho e depois me conte o resultado!

Explicar é melhor do que impor

Outro dia, quando fui pegar minha filha na escola, encontrei a professora dela saindo do local. Ela me fez um aceno, e fez questão de se aproximar para falar algo que me surpreendeu: "nossa, sua filha é apaixonante! Parabéns, Catarina é educada, prestativa, e ajuda muito nas aulas". Eu quase caí para trás, porque a imagem que eu tinha da pequena não era exatamente essa. Nem de longe.

Não que eu ache minha filha mal educada, claro que não. Aliás, se achasse já estaria fazendo algo para reverter o processo, porque sei que educação é algo que se contrói no dia a dia. Mas confesso que fiquei surpresa com a fala da professora, pois comigo a pequena faz jogo duro: enrola para fazer algo que peço (embora sempre faça), discute algumas ordens ("mas, mãe, precisa mesmo?") e por aí vai.

Sabe aquela velha história de que filho é diferente quando está longe da mãe? Pois é, estou começando a acreditar que seja mesmo verdade!

No fundo, eu sempre acreditei no poder de duas coisas: da palavra e do exemplo. Creio tanto nisso, que é um exercício que faço todos os dias com Cacá, apesar de nem sempre ter certeza de que está dando certo.

Acredito que ao invés de simplesmente impor algo ("faça isso porque estou mandando"), é melhor explicar os motivos à criança, mesmo que você julgue que ela é muito pequena para entender. No fundo, não é não. E mais: adianta falar se você age de forma contrária? Crianças têm uma capacidade inimaginável para ler nas entrelinhas! Depois de um certa idade, elas sabem muito bem se você burlou a regra de não comer chocolate antes da refeição, mas a impediu de fazer o mesmo!

Claro que não dá para ter papos de dez minutos com um bebê que está fazendo birra. Você explica o que deve ser feito em uma frase, mas explica! "Filha, você não pode colocar a mão na tomada porque vai se machucar". "Não vou levar esse brinquedo hoje, porque hoje viemos na loja para comprar o presente do amiguinho, e só isso". Mesmo que breve, deve haver um motivo que justifique uma recomendação.

Conforme o filho cresce, as explicações vão se tornando mais longas, porque os conflitos também são mais elaborados. "Não, você não vai dormir na casa da coleguinha de escola, porque eu não conheço a mãe dela. Mesmo que outras amiguinhas já tenham confirmado". Se seu filho tiver a confiança de que você sempre foi razoável nas suas decisões, que sempre teve um bom motivo para deixar ou não algo, ele vai acabar aceitando, mesmo que prefira outro desfecho para a história. 

(Foto: 123RF)