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Família pode interferir na alimentação dos filhos?

Fazer os parentes respeitarem a rotina alimentar das crianças pode ser um desafio. Veja como lidar com a situação

Família pode interferir na alimentação dos filhos?

“Sempre que a Manu vai na casa dos meus pais, eles dão coisas que não costumo dar, como biscoito recheado, salgadinho, achocolatado... E quando digo para não darem, eles ficam chateados e falam que é frescura minha, e que ela fica com vontade. Até refrigerante, que eu nunca tinha dado, eles deram”, desabafa Cintia Assis, personal trainer, 28 anos, mãe da Manuela, 3.

Assim como Cintia, várias outras mães passam por essa situação. Às vezes, você controla a alimentação dos filhos ao máximo, mantendo-os longe de guloseimas que não fazem bem à saúde e, em poucos segundos, um parente próximo burla a regra.

E aí, como falar, proibir e não ficar em uma situação chata com alguém próximo?

Para Mariana Rodrigues, advogada, 37 anos, a situação delicada e a intromissão de uma parente próxima na alimentação da filha, Beatriz, 3 anos, causou até afastamento.

“Ela não aceitava muito a maneira como eu tratava da alimentação da Bia. Dizia que já tinha experiência, criado 2 filhos, neto e que eles comiam tudo e não acontecia nada. Foi muito chato e parei de visitá-la por um tempo. Preferi me afastar um pouco a ser grosseira. Não queria ser mal interpretada, apenas queria que minha vontade fosse respeitada”, revela.

Essa situação causa muitas saias-justas, e acreditem, os avós são os primeiros na lista dos infratores. Eles apenas querem agradar a criança, nós sabemos. Na cultura e costumes deles, dar guloseimas é uma forma de carinho.

Além disso, na nossa infância, a cobrança por um estilo de vida saudável era bem menor, assim como a variedade de produtos industrializados.

Por isso, muitas pessoas mais velhas não veem problemas em dar alimentos nada saudáveis aos pequenos. E por mais que você peça e explique, eles dificilmente mudam a postura.

“Em alguns casos essa situação pode ser mesmo delicada. Um primeiro passo pode ser mostrar a orientação do pediatra, o que tornaria mais fácil da pessoa entender”, sugere Quezia Bombonatto, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

Quando se tem uma criança com limitação alimentar (alergia, diabetes etc), os parentes devem ser previamente alertados e lembrados constantemente de sua condição e de quais alimentos não devem ingerir.

“Mas se ela não tem limitação e vai poucas vezes à casa do parente, pense se vale a pena ter uma indisposição por casos esporádicos”, aconselha Quezia.

Toda mãe sabe que sair da linha de vez em quando não deixa ninguém doente. Equilíbrio também faz parte da educação e o que os especialistas salientam é a questão do excesso. E, sim, comer açúcares e gorduras todos os dias, é excesso.

Na verdade, o problema todo é quando a criança passa a rejeitar alimentos saudáveis porque experimentou os açucarados, gordurosos e aromatizados, o que encanta qualquer paladar.

Segundo Quezia, se a criança for bem conduzida pelos pais, pouco a pouco vai ter consciência da boa alimentação. “Ela vai entender que pode se permitir uma ou outra guloseima de vez em quando, sem que ela seja algo proibido e, portanto, tentador”, explica.

Para o nutricionista Felipe Monnerat, essas escapadas só afetam a rotina alimentar da criança, dependendo de como o alimento é oferecido.

“Se a convenção do parente está difícil, tente explicar que a maneira como essa guloseima é dada pode fazê-la rejeitar os outros alimentos. Por isso, deve-se evitá-los em grande refeições e oferecê-los não como substitutos mas, sim, como complemento ou após a alimentação habitual”, finaliza.

(Foto: Getty Images)