Família

Meu filho vai ter uma nova família. E agora?

Você ou o pai dele vão se casar de novo com alguém que também já tem filhos? Acredite, dá para lidar com os conflitos que podem surgir

Meu filho vai ter uma nova família. E agora?

Quando João tinha 1 ano e meio, Fabiana Faria e Marcos Alvim se separaram. O filho continuou morando com a mãe enquanto o pai saiu de casa para tentar refazer a vida. Um ano depois, ele se casou novamente, dessa vez com a Fernanda Zerbini, que já tinha um filho, também de seu primeiro casamento, o Pedro.

João e Pedro têm apenas 6 meses de diferença. Não demorou muito para que os dois se tornassem amigos e logo começassem a se chamar de irmãos, mesmo não entendendo muito bem a nova estrutura familiar que se formava. Mas essa harmonia na convivência nem sempre acontece de maneira natural.

Aliás, essas novas formações podem gerar conflitos não só na nova família, mas também na que ficou para trás.

“Até a gente se acertar quanto às regras com relação à educação do João, patinamos e discutimos muito. Hoje eu e o pai dele ainda discordamos em algumas coisas, mas já conseguimos ceder mais e dialogar”, diz Fabiana, que conta que atualmente a família optou por fazer a guarda compartilhada do João, deixando-o passar mais tempo na casa do pai.

É isso! Com paciência e muito diálogo, é possível lidar com “os meus, os seus e os nossos filhos”, além de todos os adultos envolvidos nessa história.

Pais e mães presentes

Raisa Arruda, psicóloga clínica, de Fortaleza, comenta que qualquer conflito pode aparecer, dependendo do histórico familiar, mas uma coisa é certa: quando pai e mãe são presentes e ativos na vida dos filhos, todos os possíveis problemas podem ser minimizados.

Isso porque, quando os pais conhecem bem o temperamento das crianças, conseguem prever que tipos de divergências podem acontecer com a formação das novas famílias.

Cada criança tem seu tempo

Ela lembra que, antes de formalizar um novo casamento, os pais precisam ter a sensibilidade de dar tempo ao tempo para que os filhos se acostumem com a ideia de ter uma nova família, com madrasta, padrasto e outras crianças.

Cada filho vai encarar essa novidade de uma maneira. Pense nos seus filhos como únicos e prepare o terreno de maneira a não aumentar os conflitos. Não obrigue que as crianças logo se tornem amigas inseparáveis, por exemplo. Os pontos de afinidade surgirão naturalmente, com a convivência.

As mesmas regras aqui e lá

O que é definido em uma casa deve ser seguido (ou, pelo menos, ser muito parecido) na outra. Crianças necessitam dessa coerência para poderem se organizar e ter limites.

Além do mais, quando as normas são semelhantes, nem o pai nem a mãe ficam com a fama de bons ou maus da história. Para tanto, as famílias precisam abrir mão de qualquer conflito que tenha ficado na relação antiga e colocar os filhos como prioridade.

Organize a vida em família

É natural que, dentro desse novo cenário, um dos filhos se sinta deixado de lado. Por isso, organizar o tempo em conjunto é muito importante. E isso vale para todos os formatos de família.

Separe um horário só para o seu filho, sem a participação dos outros integrantes da nova família: brinque, leia, converse sobre a escola, diminua o tempo em frente à televisão e eletrônicos.

Sem diálogo não há solução

Segundo Raisa, muitos pais que não conseguem superar o antigo relacionamento acabam colocando os seus interesses pessoais antes dos filhos. Isso acaba deixando a criança no meio de um fogo cruzado, o que não é benéfico para ninguém e pode deixar traumas até a vida adulta.

Após uma separação, quando se têm filhos, os pais precisam se comportar como adultos e cuidar das crianças em primeiro lugar. Mesmo com raiva ou ciúmes, o recomendado é se abrir para o diálogo, aprender a escutar e a conviver de outra forma com a nova rotina e a nova demanda.

“Eu sempre busquei uma relação harmoniosa com o pai do João, mas nunca imaginei que fosse ganhar amigos. Hoje, eu, a Fernanda, o Marcos e as crianças formamos uma grande família, uma rede de apoio. Não foi fácil chegar até aqui, mas, pelos filhos, é totalmente possível”, afirma Fabiana, com a família, na foto de destaque.

(Foto: Arquivo pessoal)