Família

O nosso tempo é o mesmo tempo dos nossos filhos?

Por Marina Breithaupt

Já reparou quantas vezes você apressa as crianças e adolescentes da casa?

O nosso tempo é o mesmo tempo dos nossos filhos?

- Vai filho, anda logo!
- A gente vai se atrasar!
- Para com essa enrolação!
- Deixa isso pra lá, vem logo!

...

Aposto que você, mãe como eu, já se escutou dizendo essas e muitas outras frases parecidas.

Não te culpo, também me pego fazendo isso muitas vezes. A gente tem a vida corrida com casa, trabalho, outros filhos ou ainda nenhuma ajuda com toda essa "função" que é encarar os compromissos do dia a dia...

Há um tempo, observei o Theo, meu filho do meio, brincando. Na hora, precisava que ele terminasse a tarefa para "cumprir a agenda" do dia e ele, claro, me devolveu um: "Espera, mãe!"

Quando fui rebater dizendo que precisava ser naquela hora, pois eu tinha outros compromissos e depois não poderia ajudá-lo, me deu um estalo.

Quantas e quantas vezes eu o apressei, obrigando-o a entrar no meu ritmo? Nossa, muitas vezes!

Sempre soube que ele vive seu próprio tempo; aos 6 anos, o seu compasso bate tão diferente do meu. Me senti tão injusta ditando o meu tempo e não o deixando viver o dele!

Me lembrei dessa mesma época da Babi, minha filha mais velha, e como o tempo deles é diferente. Até hoje, com ela adolescente, o que é urgente para mim, não é para ela.

Acredito que, aos poucos, minha função como mãe seja, sim, ensiná-los o "tempo dos adultos" e a importância dos nossos compromissos e realidades mas, ao mesmo tempo, hoje percebo que posso fazer isso de uma maneira muito mais leve.

Como eu preciso de uma rotina quase militar para fazer as coisas em casa - sem ajudante - funcionar, acabo pressionando meus filhos a manterem meu ritmo; isso estava acontecendo com muita frequência.

Ainda não encontrei o equilíbrio, nem a fórmula ideal para resolver essa questão, mas passei a admirar mais e respeitar o tempo deles.

O tempo de uma brincadeira, de um desenho, de um livro ou da atividade e até o tempo de ócio, aquele em que eles viajam em seus pensamentos, imaginando situações em uma brincadeira sem muito sentido para nós... Lembrei muito de mim quando comecei a prestar atenção nisso; eu era exatamente desse mesmo jeito na idade deles!

Eles têm o seu próprio tempo na infância e isso é lindo! Precisamos dosar mais as cobranças para que tão precocemente vivam no nosso tempo, o tempo dos compromissos com hora marcada.

Ando pensando muito sobre uma coisa: se eles precisam viver no nosso ritmo sempre, por que, às vezes, não nos deixarmos levar pelo tempo deles, não é mesmo?

Um beijo,

(Foto: Shutterstock)