Família

Programa de domingo em São Paulo: feira boliviana

Por Paula Rizzo

Uma atividade diferente para toda a família

Programa de domingo em São Paulo: feira boliviana

Nem todos sabem, mas São Paulo é atualmente o destino mais procurado pelos bolivianos que imigram de seu país.

Os números não são precisos, pois existe muita imigração ilegal, mas as estimativas são de que até 40 mil cidadãos da Bolívia entrem no Brasil todos os anos, contribuindo para a formação de uma comunidade de até 400 mil só na capital paulista (o outro grande destino brasileiro é o Mato Grosso do Sul).

E todo domingo essa comunidade tem um ponto de encontro no bairro do Pari, na região central: a Feira Kantuta.

Localizada em volta da Praça Kantuta, na rua Pedro Vicente, altura do nº 600, a feira tem início às 11 horas e só termina às 19 horas. Lá é possivel encontrar comidas, artesanato, instrumentos musicais, roupas, CDs de artistas e de karaokê bolivianos, cortar o cabelo e assistir a números de dança e festejos.

Chegamos às 12 horas para conhecer o que é que a Bolívia tem. Uma curiosidade natural aliada à necessidade de encontrar programas diferentes na cidade nos levou até lá.

Fomos de carro, pois estava chovendo, mas em um dia ensolarado é fácil chegar de metrô, já que a estação Armênia fica a cerca de 600 metros do local.

Já na entrada, em um ponto em que a rua Pedro Vicente fica restrita somente aos pedestres, fomos informados de que a primeira barraca servia excelentes grelhados (frango e peixe), bem feitos, sem óleo e de boa qualidade. Bastava "seguir a fumaça". 

Paramos para checar e o cheiro e a aparência da comida confirmavam essa dica. Os grelhados eram servidos com mandioca assada, batata frita cortada em grandes filetes, banana-da-terra frita e arroz com ervilha e milho.

Para acompanhar, quem não quiser tomar a tradicional cerveja Paceña, pode pedir um copo de "mocochinche", suco de pêssego temperado com um pouco de canela, o que lhe confere um perfume diferente.

Perguntamos se lá serviam "choclos", os famosos milhos negros gigantes dos Andes, mas descobrimos que a vendedora peruana que os comercializa não havia ido.

Isso mesmo, quem vende choclos é uma barraca peruana. Na feira havia também uma barraca cubana servindo mojitos (drinque que leva rum e hortelã) e "moros y cristianos", a mistura cubana de feijão e arroz.

Mas a predominância absoluta era a dos rostos bolivianos, com suas feições indígenas, seus olhos levemente puxados, cabelos lisos e muito escuros, assim como o tom da pele.

O que predominava também era uma característica "família" da feira: muitas crianças, de todas as idades, passeando com seus pais e brincando sem se incomodar com a chuva que ia e vinha.

Essas famílias fazem de tudo por lá: cortam cabelo no cabelereiro improvisado dentro de uma tenda azul, saboreiam salteñas (espécie de empanada de recheio líquido que deve ser comido com colher), experimentam nas barracas as roupas e flautas bolivianas - também chamadas flautas de pã. Paramos em uma das barracas que vendia cereais e levamos dois sacos de maíz (milho) para serem fritos em casa.

No final, voltamos para casa felizes por termos feito um programa simples, mas muito diferente. Que muito paulistano não conhece, mas que deveria conhecer.

(Fotos: Arquivo pessoal)