Família

Quando a fase de bebê fica para trás

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

O último dia em que você tem um bebê em casa fatalmente chega. Mas você demora muito, muito para perceber que ele já passou!

Quando a fase de bebê fica para trás

Está vendo essa belezinha aí da foto? É minha filha Catarina. Mas ela não tem mais os olhos azuis dos primeiros meses de vida, nem as bochechas gordinhas, nem ao menos esse brinco de bolinha (aliás, ela perdeu o primeiro brinco ao fim do seu primeiro ano, e escolheu deixar fechar o segundo furo há alguns meses. Enfim, nada de brincos por aqui!).

Sua boca agora conta com 20 lindos dentinhos, e sua altura já passa de 1 metro de comprimento! Cacá, como carinhosamente a chamo, já é uma menininha. Bem esperta, arteira (ralou duas vezes o queixo nos últimos dez dias!) e com uma personalidade encantadora. A parte ruim de tudo isso: eu não tenho mais um bebê em casa.

Durante um bom tempo eu, sinceramente, não achei que isso seria ruim. Aliás, em quantas noites eu não rezei para o que o tempo passasse logo? Eu não via a hora de poder dormir um pouco melhor, de voltar a comer um pouco melhor, de ter um tempinho para mim.

Eu queria sair de casa sem culpa, sem me preocupar se voltaria antes da mamada, se a pequena sentiria fome antes das fatídicas três horas, se a encontraria chorando com a minha ausência.

Eu desejei que ela falasse, para me contar quais eram os motivos de suas lágrimas. Eu quis que ela andasse, corresse e se satisfizesse com algo além do meu colo. Meus braços cansados, de tanto niná-la, sabiam bem disso...

Mas o tempo passou. E confesso: as coisas ficaram mais fáceis. Catarina começou a se expressar melhor, a brincar com outras crianças, a ter sua própria identidade. Aprendeu a comer e descobriu também que tem direito aos seus gostos pessoais.

Percebeu que o mundo era muito maior do que "mamãe", que seus amiguinhos poderiam ser deliciosas companhias. Foi para a escola, para a natação, para o balé... Começou a desabrochar, a querer ganhar o mundo, sem precisar da minha presença para tudo.

Claro que é bom - afinal, é para isso que criamos um filho! Mas é difícil perceber que você já não é mais tão necessária quanto um dia foi. Que você não consegue mais colocar o pequeno no ombro e fazê-lo dormir. Que aquelas roupinhas, tão pequenas, não serão mais usadas. Enfim, que a fase de bebê passou, sem dar chance de que você se despedisse dela. Simplesmente porque você só se deu conta muito tempo depois dela ter terminado!

Por isso, se eu tivesse que deixar uma grande dica para todas as mães de bebês, seria essa: aproveite!

Esqueça por alguns segundos as noites mal dormidas, seu prato gelado que ficou na mesa enquanto você fazia seu filho dormir pela décima vez no dia. Tente deixar o cansaço gigantesco de lado e sinta o cheirinho do seu filho - que em breve não será o mesmo.

Pegue seus cabelinhos e perceba como são finos, e tente gravar em sua memória a cor exata deles (porque ela também mudará). Grave em seu coração essa imagem de bochechinhas macias e boquinha banguela, para que ela não saia de lá nunca!

E viva intensamente cada dia como se fosse o último - porque um dia ele chegará: o último dia em que seu filho foi realmente um bebê.

(Foto: Arquivo pessoal)

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