Família

Quando o filho te magoa

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Esses dias em que o coração de um pai ou de uma mãe se parte com algo dito ou feito por uma criança também existem. E não é vergonha admitir isso...

Quando o filho te magoa

Na maior parte do tempo eu conto, em meu blog pessoal, como minha filha Catarina é uma menina bacana, e como a nossa convivência tem me transformado em uma pessoa melhor. Mas raramente eu falo sobre as situações em que a pequena me magoou, a ponto de ter me arrancado algumas lágrimas. 

Isso porque não é fácil admitir que você tenha ficado fragilizada diante de uma criança de apenas 4 anos. Muito menos que seu filhote não seja perfeito. Mas a verdade é que, embora tão pequenininhos, nossos filhos são capazes de nos causar uma certa tristeza de vez em quando (quem é pai ou mãe vai concordar comigo).

E é justamente nessa hora em que você precisa se lembrar do papel de educador, deixar o sentimento de lado para mostrar o certo e o errado (por mais que esteja em cacos do lado de dentro).

Aconteceu outro dia por aqui: a pequena começou a me dar ordens, sem motivo aparente para tal comportamento. Primeiro pensei que ela estivesse cansada (porque o cansaço é o melhor amigo da falta de educação - não é à toa que o fim de tarde é o horário mais frequente para a ocorrência de birras), e tentei desconversar, chamando sua atenção para outro assunto.

Mas ela insistiu, até que, finalmente, disse: "Mãe, você só me atrapalha". É claro que na hora levei um choque, e a primeira coisa que fiz foi me perguntar se eu falava dessa forma com ela, ou com qualquer outra pessoa (afinal, ela poderia estar apenas reproduzindo, correto?).

Depois de uma rápida autoanálise, livrei meus ombros dessa culpa. Não, eu tinha certeza de que ela não havia aprendido essa fala comigo, porque, se há algo com que me preocupo a todo o instante, é em modular minha fala para que ela não machuque.

Para mim, a forma de dizer algo é tão importante quanto o conteúdo - e era justamente por esse motivo que eu havia ficado magoada. Não achava certo aquele modo de falar, e fiquei com medo por não estar sabendo ensinar.

A primeira coisa que fiz foi dizer em tom forte que não se fala daquele jeito com qualquer pessoa. Que a mamãe havia ficado triste, porque só tenta ajudar e fazer o melhor - mesmo que fosse difícil compreender aquilo naquele momento. Falei que a forma como você fala com alguém diz muito sobre você - e que é respeitando que se é respeitado. 

Pelo choro subsequente da pequena, percebi que ela havia entendido o recado, pelo menos em parte. E fiquei aliviada quando, em meio às lágrimas, ela disse que estava muito triste por ter feito a mamãe chorar.

São pequenos aprendizados diários que eles precisam enfrentar; e são pequenos momentos que nos mostram a importância do nosso trabalho enquanto pais, e como é difícil executá-lo.

(Foto: Getty Images)