Família

Respeito é a palavra-chave

Os desafios que aparecem junto com o diagnóstico do autismo

Respeito é a palavra-chave

“Recebemos o diagnóstico do autismo do Marcelo, meu filho caçula, quando ele tinha 1 ano e 5 meses. Percebemos que havia algo de errado ainda no primeiro ano de vida. Ele parecia surdo, não aprendeu as primeiras palavras e não começou a fazer algumas gracinhas que todo bebê faz”, lembra Roberta Gonçalves Vasconcelos.

Assim que veio a confirmação, a família virou o grande apoio. Roberta conta que, junto com o medo do futuro – mais o medo da rotina nova, o medo de não dar conta de tudo e a difícil tarefa de se desfazer de um monte de planos –, surgiu muita ajuda dos avós, que entraram com tudo na nova rotina de terapias do Marcelo, hoje com 5 anos.

Paralelo a isso, a mãe encontrou também ajuda e informação em blogs maternos, que são ótimos para unir mães que estão na mesma situação e a criar importantes amizades.

“Precisamos aprender a estimular nossos filhos e aprender outras formas de ensiná-los tudo aquilo que, para outras crianças, é fácil ou automático. Precisamos ler muito e nos manter sempre informadas sobre tratamentos, pesquisas científicas etc. Tudo tende a ser mais difícil. Fora isso, precisamos lutar por tudo”, aponta.

Isso significa lutar por sistema público de saúde que forneça terapias, por inclusão escolar de qualidade, para encontrar terapeutas especializados, contra o preconceito de outras pessoas, contra olhares estranhos. “Tudo é mais difícil e requer mais energia de pais e mães. É uma luta atrás da outra”, diz Roberta.

A quem está sabendo do cenário agora, ela aconselha a viver esse luto e a chorar, mas tentar se manter “funcionando”. Segundo ela, para sentir que as coisas estão fluindo, é preciso procurar as terapias e começá-las o quanto antes.

Além disso, não esconder o diagnóstico de ninguém também é importante. Afinal, o desafio é para todos que estão ao redor: família, amigos e escola.

“Para quem já tem o diagnóstico, diria para manter em mente a palavra ‘respeito’ em todas as decisões. Esse tratamento é respeitoso com meu filho? Essa escola parece respeitosa com ele? As diferenças e necessidades dele estão sendo respeitadas? Os terapeutas e os professores estão respeitando-o como indivíduo? Eu estou me respeitando como mãe e como mulher?”, aconselha.

E completa: “Por último, aconselharia a fazer as pazes com o futuro, assim que o coração permitir. É um renascimento. Com o diagnóstico, nasce uma nova mãe. Essa nova mãe é uma pessoa incrível. Quanto antes percebermos a nossa força e as nossas novas qualidades, melhor para eles e para nós”.

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(Foto: Arquivo pessoal)