Família

Sobre despedidas e recomeços

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Fim de ano é hora de fechar ciclos, de se despedir, para recomeçar. Como isso acontece para você?

Sobre despedidas e recomeços

Você já parou para pensar como fim de ano é uma época realmente diferente? E não só porque chega o Natal, o Revéillon, e com eles alguns dias de folga (não para todo mundo, mas para grande parte das pessoas): essa é também a hora de se despedir de algumas coisas, para fazer diferente daqui para frente.

Quando você tem filhos, essas despedidas ficam ainda mais marcantes.

É a festinha de encerramento da escola, que arranca mil lágrimas dos pais, a passagem para outra série, o momento difícil de se separar da professora tão querida. E por vezes de alguns amiguinhos, que ficarão em outra sala ou irão para outro colégio.

Se você parar para observar, notará que essas transições não são fáceis para nossos pequenos. Eles podem até não verbalizar, mas ficam mais inseguros, medrosos e grudam - ainda mais ao passar mais tempo em família, no período de férias. Para mim, dá aquela sensação de que tudo isso é muito bom, porque faz crescer, mas meio doído ao mesmo tempo.

O interessante é que todo fim de ano isso acontece, mas eu não tinha notado com a intensidade de hoje. E isso só aconteceu porque também vivi nesse dezembro mudanças marcantes: de casa, de bairro, dos lugares que frequentava, de vizinhos... Enfim, de muita coisa. Ao me deparar com tantas novidades, precisei me adaptar - aliás, ainda estou me adaptando, pois o processo não acontece do dia para a noite.

Permanecer na zona de conforto é, como o próprio termo diz, muito confortável. Você já é dona da situação: seja no trabalho, em casa, nos relacionamentos que estabeleceu.

Você conhece as dificuldades e provavelmente encontrou um meio de lidar com elas. Você fez amigos, estabeleceu parcerias, sabe com quem pode contar - e isso traz um sentimento de segurança enorme. Mas passar a vida dessa forma é perder a oportunidade de ampliar seu mundo, de conhecer locais e pessoas.

Por mais que uma mudança seja desejada, na hora H dá um medinho no fundo do estômago. De que as escolhas que você fez não tenham sido acertadas, de que era melhor ter continuado onde você estava. Dá uma sensação de inadequação, de que você ainda não pertence àquele lugar ou àquele ciclo. Dá vontade de voltar, mesmo que você não estivesse 100% satisfeito onde estava.

Mas é preciso dar tempo ao tempo. Se abrir, de coração, sem fazer comparações a cada minuto. É necessário ter paciência consigo mesmo, e não se cobrar uma adaptação imediata. Porque, aos poucos, tudo começa a fazer sentido. Aí passa a ser divertido, alegre e engrandecedor.

(Foto: 123RF)

comentarios mudança, casa, Família, filhos