Família

Sobre os julgamentos que toda mãe sofre

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Você já se sentiu julgada em seu papel de mãe? Pois saiba: você não está sozinha!

Sobre os julgamentos que toda mãe sofre

Outro dia escrevi em meu blog pessoal um relato sobre a mudança de escola de minha filha, Catarina. A pequena está indo para o primeiro ano do Ensino Fundamental, o que já é uma grade mudança!

Vários professores, lição de casa, uma grade curricular definida, o processo de alfabetização que se intensifica. Some a isso o fato de que o colégio é enorme, bem diferente do "ovo" em que ela estudava até o fim do ano passado - um local onde conhecia todos, e em que todos a conheciam. Pois é, agora é bem diferente: ela tem que saltar do carro (dentro do ambiente escolar, claro! Esse é o esquema que a escola encontrou para deixar o desembarque mais rápido e seguro), e ir sozinha até sua sala de aula.

Claro que os primeiros dias não foram fáceis - para a filhota e para mim. Ver o quanto ela estava se superando me deixou orgulhosa, mas ao mesmo tempo com o coração na mão. Que mãe gosta de ver o filho chorar? Sim, ela chorou, e eu sofri. E foi justamente sobre essa experiência que escrevi, pois sei que muitas mães se identificam com ela.

Foram muitos os retornos positivos que tive, de leitoras que estavam passando por situações semelhantes com seus filhos. Só que a interpretação para outras foi bem diferente - fui julgada em meus pensamentos, em meus sentimentos, em minhas ações. "Sua filha não está muito grande para que você sofra com a adaptação escolar dela?". "Você não acha que (você) precisa de um psicólogo?". "Adaptação escolar acontece uma vez só, quando o bebê vai para a escola pela primeira vez. O resto é falta de habilidade da mãe em manejar a questão", foram alguns dos comentários que recebi nas redes sociais (aliás, vamos numa outra vez discutir o porquê das pessoas se sentirem tão à vontade para julgamentos no Facebook, mas segurarem a língua quando te encontram pessoalmente?). 

Claro que quem escreve e publica seus textos na internet está sujeita a ter opiniões contrárias às suas. Mas nessas horas eu penso sobre uma habilidade importantíssima: a empatia! A capacidade que todos nós temos de tentar nos colocar no lugar do outro. De se sintonizar com os medos, as alegrias, as tristezas, as dúvidas de uma outra pessoa. Acredito que, quando conseguimos estabelecer essa conexão, nos tornamos mais humanos, mais razoáveis, mais nobres.

Por isso, todas as vezes em que uma mãe me conta que seu filho não dorme, eu deixo de pensar nos erros que possivelmente ela comete, para me lembrar do extremo cansaço que é ter um recém-nascido acordado durante toda a madrugada. E me solidarizo com ela. Quando uma mãe me diz que seu filho só quer colo, eu não falo que ela deveria ter deixado o pequeno mais tempo no carrinho, ou no berço, para que ele se acostumasse assim. Ao receber uma mensagem de uma mãe que relata estar ficando louca com as crises de birra do filho, eu não digo que ela deve estar criando um pequeno monstrinho em casa, e sim que é ótimo que ela esteja colocando sua atenção nesse ponto agora, para que seu pequeno cresça de modo saudável. 

Todas nós já nos sentimos julgadas em algum ponto da maternidade: seja na forma de colocar para dormir, de alimentar, de criar. Ter essa lembrança nos ajuda a fazer críticas realmente construtivas, coerentes. E nos mostra também que uma outra mãe não está necessariamente errada, por sentir ou pensar de forma diferente da sua.

Se morássemos na casa da outra, tivéssemos a família da outra, o trabalho da outra, a criação da outra, as crenças da outra, talvez também fizéssemos de outra forma.

(Foto: 123RF)