Natal

Papai Noel: chegou a hora da verdade?

Será que já está na hora de contar para seu filho que o bom velhinho não existe?

Papai Noel: chegou a hora da verdade?

O Natal vem chegando e, com ele, toda a magia desta época: entre luzes e enfeites, as crianças escrevem a cartinha do Papai Noel pedindo o presente escolhido para este ano. Mas será que eles já não estão grandes demais para continuar acreditando no bom velinho?

A psicóloga e psicopedagoga, Cynthia Wood Passianoto, explica que não existe uma idade certa para a criança deixar de acreditar na fantasia do Papai Noel. “A criança naturalmente descobre a realidade de acordo com sua maturidade. Cada uma tem seu tempo de desenvolvimento e é importante que os pais respeitem isso”.

Aliás, os pais devem tomar cuidado para não destruir essas crenças antes da hora, pois fantasias como o Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada dos Dentes são importantes para o desenvolvimento dos pequenos. “As crianças buscam nas fantasias explicações para aquilo que ainda não têm maturidade para compreender. E também é pela via do imaginário que podemos elaborar questões afetivas de nossa história psíquica”, conta a psicóloga Cláudia Bach.

Calendário infantil

Além disso, é com estas datas comemorativas tão esperadas que as crianças conseguem marcar a passagem do tempo em suas vidas e as representações simbólicas que estes momentos criam geram algumas das melhores lembranças que ficam da infância.

Assim, estimular essas fantasias é ótimo para o desenvolvimento dos filhos. Levar alguém vestido de Papai Noel à festa de fim de ano ou fazer pegadas de coelhinho pela casa na Páscoa, são formas de criar momentos mágicos e de grande encantamento para seus filhos, que também ajudam a fazer com que ele se sinta amado. “Esta crença na magia e no uso do pensamento mágico para a criança é necessária para ajudá-la a dominar a realidade e aprender a enfrentar o mundo”, diz Cynthia.

E por volta dos 7 anos...

A necessidade de magia e encantamento normalmente dura até por volta dos 7 ou 8 anos de idade, quando se dá início ao processo de maturação mental e a criança começa a enfrentar o mundo real. Mas essa idade não é uma regra.

“A sugestão é sempre deixar que a criança apresente a questão, pois ela inicia esse processo de descoberta aos poucos, observando as situações e as manobras da família em sustentar a fantasia do bom velhinho. São evidências que ela vai reunindo durante seu processo de crescimento e só vai tirar alguma conclusão lógica quando tiver maturidade para isso, o que pode demonstrar que ela estará preparada para essa etapa da descoberta”, afirma Cláudia.

Se os pais chamarem para uma conversa antes da hora, a criança pode sentir raiva, mágoa por ser forçada muito cedo a desistir de suas fantasias e desejos.

Respondendo às perguntas

E quando o filho fizer questionamentos, independente de sua idade, o ideal é que os pais respondam de forma sincera e natural, sem também ir além daquilo que a criança perguntou. Às vezes, as perguntas trazem apenas uma desconfiança e os pais não precisam revelar tudo ainda.

Ao mesmo tempo, tentar estender uma fantasia na qual o filho já não acredita também não funciona. Quando isso acontece, as crianças muitas vezes fingem acreditar no Papai Noel apenas para não magoar os pais. “Nestes casos, falta a percepção dos pais de que o filho cresceu e de que estão forçando a criança a ser mais infantil e imatura do que realmente é”, diz Cynthia.

Mas se alguma outra pessoa, como um primo ou colega da escola, contou a verdade para a criança e os pais perceberem que ele está ferido e precisa da fantasia, uma saída é dizer que a pessoa que contou tem outros costumes e tradições, mas que, em sua família, essa magia é sim importante.

De qualquer forma, o essencial é os pais não se preocuparem demais com a questão. Enquanto o filho não questionar a verdade sobre o Papai Noel, isso significa que essa crença ainda é importante para ele e basta esperar, pois as perguntas vão começar a surgir – e, mesmo que um pouco mais tarde, a criança vai entender o bom velinho é uma invenção. Mas enquanto acreditou, aquilo foi importante e bom para ela.

(Foto: Getty Images)