Obesidade Infantil Não

Como ajudar uma criança a emagrecer

Estimular a prática de atividades físicas de maneira natural e divertida é uma das chaves para evitar problemas de sobrepeso durante a infância

Como ajudar uma criança a emagrecer

O Brasil é um país de pessoas acima do peso. De acordo o Ministério da Saúde, 52,5% da população adulta encontra-se nessa situação, sendo que, dessa parcela, 17,9% são obesos.

Entre os pequenos, o cenário também é de atenção. Segundo o IBGE, 1 em cada 3 crianças de 5 a 9 anos de idade está acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Muitas pessoas imaginam que isso seja resultado de uma alimentação excessiva. Isso contribui, é claro, mas o maior problema está relacionado ao baixo gasto calórico”, alerta Aylton José Figueira Junior, coordenador do grupo de estudo de atividade física e promoção da saúde da Universidade São Judas Tadeu.

Ou seja, tão importante quanto seguir uma dieta balanceada está a prática de uma atividade física.

“O crescimento físico e mental de uma criança depende desse duo. Os alimentos possuem nutrientes que auxiliam na formação dos músculos e ligamentos, enquanto os exercícios promovem seu fortalecimento”, explica a doutora Virgínia Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Para ajudar os pais a estimularem seus pequenos a tomarem gosto pela prática esportiva, conversamos com diversos especialistas e reunimos algumas dicas valiosas.

1. Você é o exemplo
O professor Aylton José Figueira Junior ressalta que uma criança obesa costuma estar inserida em uma família com as mesmas características. Por isso, os pais devem dar o exemplo. “Quando eles mesmos praticam atividades física regularmente conseguem mostrar melhor aos filhos que isso é algo positivo e prazeroso”, acrescenta o doutor Mauro Fisberg, também do Departamento de Nutrologia da SBP.

2. Estimule o movimento livre
“Existe uma curiosidade natural da criança em conhecer e testar sua força, equilíbrio, elasticidade e movimentos”, defende Mariana Emerick, pedagoga adepta do método homeschooling. Para que a atividade física ocorra sem pressão, permita que os pequenos explorem parques, praças, brinquedotecas e outros locais ao ar livre.

3. Deixe a competição para mais tarde
O professor Aylton José sugere aos pais que buscam oferecer algum tipo de iniciação esportiva aos pequenos que escolham uma escola onde as crianças tenham a oportunidade de experimentar diversas modalidades, sem comprometimento. “A participação e socialização são muito mais importantes que a performance”, ressalta.

4. Acerte na dose recomendável
“Toda criança e adolescente deve acumular 300 minutos de atividades semanais, em intensidade moderada a vigorosa. Essa conta inclui movimentos executados em práticas esportivas e momentos de lazer. Seria algo em torno de 1 hora, todos os dias”, completa o especialista da Universidade São Judas Tadeu. Lembrando: atividades em que a criança carrega, sustenta ou empurra o peso do próprio corpo, como pega-pega e pular corda, oferecem um maior gasto calórico.

5. Ambiente adequado
Uma atmosfera leve, sem competição, onde o menino ou menina sinta-se à vontade, é fator determinante para que eles tomem gosto pela atividade física. As academias tradicionais, por exemplo, não são recomendáveis às crianças, segundo o professor Aylton José – além dos riscos de lesões, há questões relacionadas à exposição do corpo, que muitas vezes a criança não está pronta para lidar. A dica é procurar escolinhas esportivas especializadas em crianças e pré-adolescentes, condizentes com a idade e a maturidade comportamental e biológica do seu filho.

6. Alimentação antes e depois da prática
Os especialistas são unânimes: criança não é atleta e não está em competição. Por isso, se ela realiza todas as refeições normalmente, fazendo pequenos lanchinhos nos intervalos, não há com o que se preocupar. O importante é que os pequenos não estejam em jejum e caprichem na hidratação.

7. Atenção ao tempo de tela
Tablets, aplicativos e videogames podem ser ótimos instrumentos de aprendizagem. Inclusive existem jogos que estimulam a movimentação corporal da garotada, garantindo aí um mínimo de exercícios físicos, mas é importante supervisionar o uso de tais equipamentos de perto. “A recomendação diária de tempo de tela é de, no máximo, 2 horas por dia. Acima disso, as crianças podem ficar irritadas, ansiosas e até com dores musculares”, diz Virgínia Weffort.

Quando o exemplo vem de casa

Se os pais não abrem mão do esporte, os filhos tendem a seguir pela mesma linha. Conheça a história de duas famílias em que se movimentar é parte obrigatória – e, acima de tudo, muito prazerosa – da rotina.

“Comecei a ir com o Mauricio, hoje com 7 anos, no Parque Ibirapuera, logo depois do parto. Levava-o no carrinho e caminhava cerca de 10 km por dia. Com 6 meses eu já fazia pausas para deixar o pequeno se movimentar no parquinho. Conforme ele foi ficando mais velho, o tempo de atividade dele foi aumentando. Ele tinha uns 3 anos quando desceu uma rampa de patinete pela primeira vez. Quando minha filha Catarina, agora com 4 anos, nasceu, também entrou na bagunça. Hoje eles frequentam aulas específicas e com mais técnica. Acho importante principalmente para o desenvolvimento da coordenação motora. O mais velho faz judô, futebol e natação, enquanto a caçula faz balé, natação e iniciação esportiva. Sei que é uma agenda cheia, mas deixo eles à vontade para escolherem se querem ir ou não e dificilmente eles escolhem a preguiça. Aqui em casa valorizamos muito a atividade física e as crianças simplesmente adoram!”, afirma Marcela Bussad, 40 anos, jornalista, de São Paulo (SP).

"Tenho filhas gêmeas, que desde cedo praticavam natação apenas por recreação. Depois de um tempo, meu marido começou a praticar ciclismo e a Ana Carolina, empolgada, passou a acompanhá-lo. Entretanto, a Maria Eduarda era mais preguiçosa – puxou a mãe! Foi só quando viu a irmã ganhar as primeiras medalhas que se animou a pedalar também. Isso foi ótimo porque, na época, ela estava um pouco acima do peso. Dois anos depois, as duas integram a Federação de Ciclismo Infantil e participam de algumas competições. Apesar de sempre acompanhá-las nas disputas, eu nunca havia pensando em utilizar a bicicleta para me exercitar. Mas minhas filhas me incentivaram tanto que, neste ano, meu presente de aniversário foi iniciar os passeios ciclísticos junto com toda a família. De imediato já me senti muito mais disposta. Hoje vejo como é importante que os pais incentivem seus filhos a se movimentarem, ainda mais em tempos de tecnologia", avalia Fátima de Sequeiros, 46 anos, pedagoga do Rio de Janeiro (RJ), mãe da Ana Carolina e Maria Eduarda, de 9 anos.

“Exercícios sempre foram muito presentes na nossa rotina. A gente adora passar o final de semana no clube, fazer piquenique no parque e andar de bicicleta. Outro ponto legal é que curtimos levar as crianças em eventos esportivos. Estivemos nas Olimpíadas do Rio de Janeiro com os dois mais velhos e foi um sonho! Realmente acreditamos que o exemplo é o melhor caminho. A Maria Vitoria, de 13 anos, e o Diego, 12 anos, fazem natação desde pequenos. Ele também sempre gostou de jogar bola. Iniciou na escolinha de futebol com uns 4 anos e treina até hoje, além de jogar futevôlei. Já a Maria Vitória faz balé desde cedo e também nunca parou. A Mariana, 9 anos, se encantou com a ginástica artística e pratica desde o começo do ano. Enquanto a Carolina, 3 anos, faz de tudo um pouco enquanto brinca com os irmãos”, conta Flavia Jardim, 43 anos, empresária, de São Paulo (SP)

(Foto: Getty Images)