Obesidade Infantil Não

Criança acima do peso pede mudança de hábitos

Por Renata Deos

Quando um dos filhos, mesmo pequeno, enfrenta uma briga com a balança, toda a família deve rever (e mudar) seu estilo de vida

Criança acima do peso pede mudança de hábitos

Se em uma casa, algum dos filhos está acima do peso – e isso tem sido cada vez mais comum nas famílias brasileiras, onde 1 em cada 3 crianças está gordinha, segundo dados do Ministério da Saúde –, toda a família precisa repensar o estilo de vida.

De que adianta fazer uma lancheira sem biscoito recheado se, ao chegar em casa, no almoço e no jantar, só tem massa ou fritura? De que adianta tirar o feijão e macarrão da sopa e deixar a criança tomar refrigerante, porque o papai toma durante as refeições?

A minha infância foi uma luta constante com a balança. Meus pais se separaram quando eu tinha 5 anos e os passeios de domingo com meu pai tinham parada certa em uma loja de chocolate (com compra de estoque que dava para a semana toda).

Na época, o chocolate, doce preferido dele e meu até hoje, era uma maneira de estabelecer uma conexão comigo nos demais dias em que não estávamos juntos. E a minha missão era burlar a vigilância da minha mãe, que me "obrigava" a seguir uma dieta saudável a todo custo.

Sem entrar muito nas questões psicológicas envolvidas, o efeito da minha obesidade na infância e adolescência - não por culpa do meu pai, por favor; havia avós, tias, vizinhas e eu mesma burlando o esquema da minha mãe - acabou provocando uma série de efeitos nocivos para minha saúde na minha vida adulta. Me levou ao extremo de, à beira de um quadro de diabetes, ter de recorrer a cirurgia bariátrica.

Há mais de 11 anos operei o estômago e perdi 50 kg. Com os quilos, perdi também alguns hábitos que eu deveria ter abandonado na infância e que hoje vejo que são tão importantes como, por exemplo, as trocas por alimentos mais saudáveis.

Essas substituições precisam ser coerentes a um novo padrão alimentar, mais saudável para todos na casa. Inclusive pai, mãe e irmãos. E o primeiro passo é se informar sobre alimentação.

Você sabia que o Ministério da Saúde tem um "Guia alimentar para a população brasileira" explicando tudo sobre os alimentos?

Lá há até variações sobre café da manhã, almoço, jantar e lanche com alimentos adequados para uma dieta equilibrada. Só ir direto na página 57.

É difícil mudar? Claro que é! Mas educar é dar exemplo. E quando se tem filhos, somos espelho. As crianças copiam e tomam gosto por aquilo que os pais e irmãos costumam gostar e fazer.

Minha sobrinha de 3 anos aprendeu a comer brigadeiro comigo - aprendi com meu pai, ela aprende comigo. Na casa dela, minha irmã limita os doces a fins de semana apenas. E eu, quando vou visitá-la durante a semana, obedeço a regra e não levo brigadeiro.

Hoje em dia o acesso aos alimentos processados e calóricos é muito fácil. Basta esticar o braço no supermercado e lá vem 2 mil calorias de uma vez só.

Se pensarmos que no tempo de nossas avós, para fazer um bolo, era necessário buscar os ovos, peneirar a farinha, o açúcar, bater a massa, bater as claras em neve, entre outras fases, e geralmente as famílias eram maiores e o bolo era dividido entre muito mais gente, a ingestão de calorias era bem menor e o gasto no preparo, maior.

Por que estou falando tudo isso?

É que a obesidade infantil já é considerada uma epidemia e as crianças obesas correm risco de desenvolver várias doenças, entre elas diabetes e doenças cardiovasculares.

Você é capaz de avaliar se seu filho está com o peso adequado?

No site da Amil existe um teste bem bacana para descobrir se seu filho está acima do peso. Basta responder algumas perguntinhas e pronto. Está lá o resultado!

Tem também a Calculadora de IMC interativa. É só colocar a data de nascimento da criança, altura e peso que aparece o índice com as linhas ideal, alerta e máximo.

Só mudar a alimentação resolve?

A mudança alimentar já é um bom começo, mas apenas tirar as coisas boas, sem propor um prazer no lugar, fica um pouco chato.

Muitos médicos aconselham, além da mudança alimentar, inserir uma atividade física.

Nos Estados Unidos, o programa oficial de combate à obesidade infantil se chama "Let's Move" (Vamos nos Mexer). Quem não se lembra de Michelle Obama dançando na comemoração dos 5 anos do programa? E o presidente Obama proclamou o mês de Setembro como o "National Childhood Obesity Awareness Month" (Mês da Consciência Nacional sobre a Obesidade Infantil).

Dados do "Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos", o CDC, demonstram que a prática diária de atividade física durante 60 minutos já é suficiente para uma vida saudável e para perda de peso.

Lá nos Estados Unidos, o CDC revela as principais atividades em ordem de importância para os meninos: jogar basquete, correr, jogar futebol, andar de bicicleta e caminhar. As meninas preferem correr, caminhar, jogar basquete, dançar e andar de bicicleta.

E aqui no Brasil? O que será que nossos pequenos mais gostam de fazer?

Minha sobrinha adora nadar e correr no parque com os irmãos. E os seus pequenos?

* PUBLIEDITORIAL

(Foto: Getty Images)