Obesidade Infantil Não

Criança pode consumir de tudo, até fast food, se for com moderação

É possível fazer escolhas saudáveis para o cardápio de seus filhos sem cortar tudo ou ser muito radical

Criança pode consumir de tudo, até fast food, se for com moderação

Por mais que você tente evitar que seu filho coma frituras ou guloseimas – e até consiga impor regras de alimentação saudável em casa – é complicado, nos dias de hoje, impedir que as crianças sucumbam a determinadas tentações.

Há vários fatores que contribuem para isso, como as suculentas atrações das praças de alimentação dos shoppings (com direito a brindes), as delícias das festinhas infantis, a praticidade na hora de montar a lancheira da escola ou de um passeio etc.

Pois saiba que, segundo especialistas, nada deve ser proibido. Muito pelo contrário: é importante experimentar de tudo. O segredo para a criança se alimentar bem, sem exageros ou radicalismos, é moderação.

Ou seja, evite tornar as comidas mais calóricas e gordurosas um hábito ou uma forma de “recompensa” por um bom trabalho/boa alimentação. Em vez de fugir do fast food, por exemplo, mais vale aproveitá-lo do jeito certo, como uma casualidade por uma situação diferente do habitual.

Para a nutricionista Paula Castilho, diretora da Sabor Integral Consultoria em Nutrição, de São Paulo (SP), o ideal é escolher o lanche com mais verduras e legumes crus.

“Proibir a criança de comer não vai adiantar porque, mesmo que os pais não queiram levá-la a esses locais, ela vai insistir até vencer pelo cansaço. O melhor é chegar a um equilíbrio, como permitir uma vez por mês, por exemplo”, acrescenta.

Já na opinião de Isabel Jereissati, pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional e em Nutrição Materno-infantil pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), vale a pena substituir o tradicional combo hambúrguer + batata frita + refrigerante por um pedaço de pizza, comida japonesa ou espaguete com molho de tomate.

“Tudo acompanhado por suco, de preferência natural e sem açúcar, ou água. Outra dica é apostar em um fast food caseiro, com hambúrguer à base de carne moída e temperos, sem maionese ou qualquer outro molho artificial. A batata frita pode ser feita no forno”, sugere.

Deixando o fast food “mais magro”

Pode parecer impossível, mas a nutricionista e coach Talitta A. Maciel, do Espaço Reeducação Alimentar, de São Paulo (SP), mostra como fazer escolhas mais saudáveis em qualquer lugar:

  • Ao escolher pizzas, opte por atum ou frango, evitando as mais calóricas.
  • Ainda no caso das pizzas, modere no recheio. Apostar nas versões que levam verdura ou tomate é uma boa saída.
  • No cardápio de sorvetes, eleja as porções menores, como as casquinhas, evitando as caldas e as megaporções.
  • Troque o sundae pela torta de fruta ou iogurte.
  • Prefira água com gás em vez de refrigerante.
  • Se for consumir refrigerantes, recorra aos copos menores, com gelo. Além disso, divida o copo entre a criança e o adulto.
  • Em vez de quibes, que são fritos, ofereça lanches assados, como as esfihas.
  • Peça para excluir itens muito calóricos do lanche, como queijo cheddar ou bacon, por exemplo.
  • Se optar por salada, tome cuidado com os molhos prontos, que são repletos de sódio.
  • Prefira sanduíches mais “magros”: em vez de bacon, por exemplo, fique apenas com o hambúrguer e a salada.
  • Evite porções grandes de nuggets ou fritas. Melhor pedir as menores e complementar com uma saladinha.

 

Além do fast food

Em casa, de acordo com Gabriela Cilla, nutricionista da Estima Nutrição, da capital paulista, os alimentos processados (de origem industrial) devem ser consumidos apenas esporadicamente.

“Biscoitos recheados, por exemplo, podem ser consumidos 1 vez durante a semana, respeitando a quantidade indicativa do pacote como porção individual, que é de 3 biscoitos”, explica. 

Chocolates podem ser consumidos diariamente desde que na proporção de 60% amargo. Nas festas infantis, ocasião em que é difícil manter os pequenos sob controle, a dica é beliscar, em especial as bandejas de doces.

“Comer um tipo de cada docinho é menos prejudicial do que abusar do mesmo alimento. Se a criança come um brigadeiro, deve experimentar também um beijinho, que tem a gordura boa do coco como benefício”, explica Gabriela.

Segundo Paula, o papel dos pais é controlar. Se pães integrais e produtos de hortifrutis frescos estão sempre à mesa, as crianças terão menos chances de consumir balas e salgadinhos. Além disso, existe o puro e simples - mas não menos eficaz - bom exemplo.

“Quando a criança senta-se à mesa e vê seus pais se alimentando de forma adequada, com frutas, verduras e legumes, isso a encoraja a consumir esses alimentos. Outra ideia é convidá-la a participar da feira semanal e do preparo dos pratos”, sugere.

Trocas inteligentes

Em vez de: cachorro-quente
Aposte em: pão francês com carne louca (carne de panela desfiada)

Em vez de: sanduíche com bacon
Aposte em: sanduíche com carne bovina

Em vez de: empanados de frango
Aposte em: empanados naturais de peixe

Em vez de: pão francês
Aposte em: pão francês integral

Em vez de: queijos amarelos
Aposte em: queijos brancos como requeijão light ou creme de ricota

Em vez de: macarronada
Aposte em: macarrão integral com carne moída

Em vez de: pão de forma branco
Aposte em: pão de forma integral ou tapioca

Em vez de: chocolate ao leite
Aposte em: chocolate 60% cacau

Em vez de: bolachas recheadas
Aposte em: biscoitos integrais com geleia de fruta

Em vez de: sucos industrializados de caixinha
Aposte em: suco natural de fruta

Em vez de: salgadinhos de festa fritos
Aposte em: salgadinhos assados

Em vez de: refrigerantes
Aposte em: água com gás e suco natural de fruta

Em vez de: pipoca de micro-ondas
Aposte em: pipoca de panela

Em vez de: iogurte industrializado de morango
Aposte em: iogurte natural misturado com geleia de morango

Em vez de: pão de queijo congelado
Aposte em: pão de queijo caseiro

Em vez de: brigadeiro de chocolate
Aposte em: brigadeiro com recheio de morango ou uva ou à base de cacau em pó

(Foto: Getty Images)