Obesidade Infantil Não

A importância das boas escolhas alimentares desde cedo

Hábitos adquiridos antes dos 2 anos podem valer para a vida toda

A importância das boas escolhas alimentares desde cedo

Especialistas insistem em incentivar uma alimentação saudável desde os primeiros anos e não é à toa! É nessa fase que a criança forma os hábitos alimentares que a acompanharão a vida toda.

Por isso, se ela for acostumada desde cedo com alimentos salgados e condimentados, provavelmente terá uma alimentação rica em sódio no decorrer de sua vida – e isso lhe trará consequências, como a hipertensão, por exemplo.

Segundo a nutricionista infantil Luma Bueno Gonçalves, da Criogênesis, até os 2 anos de idade, a melhor opção é evitar os alimentos industrializados, apostando em uma alimentação o mais natural possível, rica em legumes, frutas, verduras e proteínas magras.

“Antes dos 2 anos, o paladar da criança está em formação. Se ela ainda não conhece o sabor do sal e dos alimentos condimentados, não sentirá falta deles se você não os colocar em sua alimentação. Ao invés do sal refinado, aposte em condimentos naturais (orégano, alho, cebola, salsa, etc) para deixar as receitas mais saborosas. O sal do Himalaia, famoso por conter menos sódio,  pode ser usado após o primeiro ano também”, ensina a nutricionista.

Vale destacar, no entanto, que embora a adição de sal industrializado seja, de fato, maléfica quanto à formação de hábitos e na possível prevenção de hipertensão tardia, o sal industrializado no Brasil é a fonte segura de iodo. Por isso, é preciso  ter em mente alimentos que substituam o iodo. Nesse caso, os alimentos marinhos são os mais recomendados.

Na casa de Bianca Guzzi, 32, hoteleira, mão de Leonardo, 1 ano e 6 meses, tudo é uma questão de escolha. “Por orientação do pediatra, não dou açúcar e ponho pouquíssimo sal na alimentação do Leo. Também não ofereço nada industrializado porque consigo fazer coisas rápidas e práticas”, afirma.

Para variar as receitas, ela sempre procura novidades na internet. “O Leo ainda não tem curiosidade por outros alimentos, acho que justamente porque ele nunca experimentou. Mas quando chegar a hora, vou deixá-lo experimentar, sim. Acho que não tem como proibir esse tipo de alimento, só não quero que se torne um hábito”, conta.

Não é só uma questão de costumes. Nessa fase, a criança já seleciona o que gosta e o que não gosta e fica fácil de querer substituir alimentos saudáveis por industrializados. Afinal, eles são feitos com dose extra de sabor para serem mais atrativos. E isso tem uma grande influência em um paladar mais sensível.

Além desse “vício” precário que esses alimentos podem causar, tais produtos são mestres em irritar o sistema digestivo da criança que, muitas vezes, ainda está em formação, podendo levar a desconfortos abdominais, como as cólicas. 

Isso sem falar que são ricos em calorias e pobres em nutrientes, contribuindo para o excesso de peso na infância e na vida adulta. Mas afinal, o que fazer: moderar ou proibir de vez?

De acordo com a especialista, até o primeiro ano, o melhor é proibir. “Após, deve-se moderar o consumo. Não se esqueça que o que está bom de sal ou de açúcar para o nosso paladar pode ser mais do que o necessário para as crianças. Devemos deixar o tempero o mais leve possível”, complementa.

O papel dos pais na alimentação

Ainda na primeira infância, os pais são os principais responsáveis pelas escolhas alimentares dos filhos. E isso, mesmo que muitos não percebam, tem muita ligação com a educação que as crianças recebem.

É muito importante falar NÃO sempre que for necessário. Seguir os horários de todas as refeições, assim como não substituí-las, é importante para a criação de hábitos saudáveis no futuro. “Ofereçam sempre novos alimentos para as crianças experimentarem, mantendo uma alimentação colorida e mais variada possível”, sugere a nutricionista.

E olha só: não basta apenas fazer uma escolha saudável na hora de compor o cardápio dos pequenos. A maneira como você prepara a comida também influencia bastante. 

“Um erro comum nessa fase é liquidificar os alimentos. Isso tem como consequência a perda de nutrientes, textura e sabor. A ideia é oferecê-los bem cozidos, desfiados e amassados, instigando cada vez mais o paladar dos pequenos”, finaliza a especialista.

(Foto: Getty Images)