Obesidade Infantil Não

O peso da obesidade na infância

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

O que podemos fazer para mudar essa situação?

O peso da obesidade na infância

Estou acima do peso. Meu filho caçula também. Não gosto dessa situação. Miguel também não se sente confortável com o peso dele.

Ele ganhou quilos extras no último ano. Passou a comer muito mais (em quantidade) do que antes. O excesso no prato se refletiu na balança.

Até os 9, 10 anos, ele era bem magrinho. Durante toda primeira infância esteve abaixo da curva mínima de peso, mas com muita saúde.

Não sei muito bem o que aconteceu no último ano para ocorrer essa mudança tão grande no prato.

Obeso na infância, obeso na vida adulta

O excesso de peso do meu filho me preocupa. Bastante. Vários estudos mostram que é alto o risco de a obesidade na infância continuar na vida adulta.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cerca de 33% dos adultos obesos foram crianças obesas. Quando a obesidade é grave, essa proporção aumenta para 50% a 75%.

"Em um estudo realizado na Inglaterra, foi verificado que 40% das crianças obesas aos 11 anos e 50% aos 15 anos continuaram obesas aos 26 anos", observa o Jornal de Pediatria, da SBP.

Ou seja, Miguel corre grande risco de ser um adulto obeso e ter todas as outras doenças que a obesidade acarreta, tanto no corpo quanto na mente.

Aliás, atualmente, ele já demonstra um sofrimento psíquico ao dizer que não gosta de ser gordinho, de sentir vergonha do próprio corpo.

Resistência em mudar

Mesmo diante desse quadro, ele resiste às nossas tentativas de controle alimentar. Se comigo, uma pessoa adulta, já sinto dificuldade em limitar as vontades em doces e pratos gordurosos, imagine como não é difícil para uma criança.

Mas tenho consciência de que não é ele o responsável por essa situação. Como escreve a filósofa Tânia Zagury, no site Obesidade Infantil Não, um projeto bacana da Amil de conscientização da sociedade para esse problema, "não cabe à criança definir assuntos que se referem a sua saúde".

Os pais são os responsáveis. Tenho claro comigo que, se meu filho está acima do peso, eu fiz algo errado. Estou tentando corrigi-los porque sei que a obesidade é doença de difícil controle, com altos percentuais de insucesso.

Tenho tomado medidas. Algumas já deram certo:

  1. Não temos excessos de doces em casa. Prefiro sair e conhecer alguma doceria, assim comemos apenas um doce, aproveitamos para passear, conversar. O doce fica associado ao passeio.
  2. Aboli o armário de guloseimas. No começo, Miguel reclamou, mas me mantive firme e hoje ele não reclama, nem sente falta. Na verdade, nem lembra.
  3. Parei de preparar guloseimas em casa. Antigamente, todo final de semana tinha bolo ou pudim, cupcakes com coberturas, tortas. Minha casa parecia uma doceria. Eu sinto falta, mas me policio para ter um bolo caseiro, apenas vez ou outra.
  4. Não temos mais refrigerantes em casa há um ano. Só em dias de festa ou quando recebemos convidados, o que não ocorre sempre.
  5. Abolimos suco e até água durante as refeições. No começo foi difícil, mas como ele sabe que a água está liberada 30 minutos após a refeição, fica mais tranquilo.
  6. Aumentei a ingestão de água entre as refeições e ele me copia. Temos as nossas garrafinhas que carregamos para todos os lados. Bebendo mais água, comemos menos.
  7. Sempre o levo para andar de bicicleta, caminhar, e ele adora. É uma forma de mantê-lo ativo porque, se não, o garoto fica apenas deitado jogando videogame.
  8. De uns tempos para cá, tenho chamado a atenção dele para a quantidade de comida que coloca no prato, que é muita. No começo, ele ficava inseguro achando que ficaria com fome, mas como ofereço salada, prato principal e uma sobremesa, aos poucos ele está percebendo que não fica com fome.
  9. Não o proíbo de comer doces, batata frita nem comida de fast food, mas limito bastante.
  10. Sei que não funciona tirar tudo, proibir, demonizar. Se isso causa tremenda ansiedade até em mim, imagine nele.
  11. Não uso nenhum tipo de medicamento ou moderador de apetite com ele. Nem comigo.
  12. O arroz, aqui em casa, é integral, assim como a massa do macarrão. Miguel reclama porque ama arroz branco. Para ele não ficar tão aborrecido, eu misturo os dois tipos.
  13. Ele está matriculado na natação e deveria fazer todos os dias, mas por culpa minha e preguiça dele não vai sempre. O Pokémon Go deu um incentivo para ele sair de casa e ir na academia. No caminho, caça os bichos.

 

A obesidade infantil é complexa e não pode ser negligenciada.

Nós, adultos, não podemos:

1) Jogar para as crianças uma responsabilidade que é nossa.

2) Acreditar que, quando ela crescer, vai emagrecer.

Os dados mostram que isso nem sempre acontece. Estamos juntas nessa luta #obesidadeinfantilnao. #EuDigoNao.

Beijos,

Patricia

* PUBLIEDITORIAL

 (Fotos: Getty Images e arquivo pessoal)