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Pets na praia: sim ou não?

Levar animais para a beira-mar não é indicado. Se você faz questão, precisa adotar cuidados básicos para evitar doenças – nele e nos turistas

Pets na praia: sim ou não?

O período de férias de verão sempre se torna um dilema para os donos de animais de estimação. Levar ou não o animal à praia?

Antes de tomar a decisão, o primeiro passo é verificar as regras do destino escolhido pela família. A maioria das cidades litorâneas brasileiras possui leis que restringem o acesso de animais à areia.

Nas cidades do litoral norte de São Paulo, por exemplo, as multas para o turista que não atender à recomendação dos fiscais variam de R$ 250* a R$ 1,6 mil*.

Mesmo as praias que permitem a presença de pets possuem suas regras. A mais importante diz respeito à coleta e ao descarte das fezes dos animais. “O ideal é que as fezes sejam feitas bem longe da areia, no calçadão ou em casa, e que sejam recolhidas com o auxílio de um saco plástico e dispensadas em uma lixeira”, explica Mário Marcondes, diretor-clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira. 

Cuidados essenciais

Em relação aos pets, a maior atenção com cães e gatos diz respeito à hidratação e à alimentação. “Os donos devem oferecer com frequência muita água limpa e fresca ao longo do dia", observa.

Além disso, no verão, a dieta deve ser leve, à base de ração, dividida em três refeições diárias. E nada de dar a ele comidas que você experimenta à beira-mar, hein?

Durante o dia, também nem pense em deixar o cão ou gato “torrando” no sol! O ideal, inclusive, é que o pet receba uma camada de protetor solar veterinário nas áreas mais sensíveis, como focinho e orelha. 

“O animal deve também ser abrigado em locais protegidos do calor, de preferência sombreados e arejados. A exposição ao sol intenso não é prejudicial, mas os passeios devem ser realizados nos horários de menor intensidade do sol, como no início da manhã ou no fim da tarde”, orienta Mário Marcondes.

Para evitar queimaduras nas patinhas, a dica é que o dono use o próprio pé como termômetro. Antes de levar o animal para passear, coloque o pé descalço sobre o asfalto ou areia para certificar-se de que a temperatura é agradável.

Os passeios também não devem ser longos, respeitando sempre o limite de cada animal. Ao notar cansaço ou ofegância excessiva, façam uma pausa para o pet beber água fresca.

Para driblar o calor, os animais podem, sim, se refrescar na piscina – sempre com proteção auricular, para evitar otites, e sob o monitoramento dos donos. Já do mar, é melhor manter distância.

A vendedora Brenda Ribeiro não viaja sem Mel, uma lhasa apso de 4 anos. E é na praia, ao lado dos donos, que a cadelinha passa a maior parte do tempo durante as viagens de verão.

“Eu não abro mão de levá-la comigo à praia, pois sempre viajo sozinha com meu namorado e não temos como deixá-la na casa alugada ou na pousada em que nos hospedamos”, diz a dona, que adota algumas práticas para não incomodar outros turistas, como ir à praia sempre pela manhã, quando o movimento é menor.

“Procuramos também nos instalar nas áreas mais vazias, mesmo que, para isso, tenhamos que escolher uma praia "menos bonita" ou com estrutura mais simples”, admite.

Na praia, a grande preocupação de Brenda é garantir que Mel não sofra com o calor. “A solução é levar a piscininha inflável na bolsa. Enchemos com água limpa e deixamos a Mel brincando lá”, relata. A cadelinha possui também seu próprio guarda-sol e sua própria canga.

É arriscado para a saúde?

Nas áreas litorâneas, existe um maior incidente de casos de dirofilariose, uma doença parasitária provocada por vermes cardíacos, especialmente em cães. O parasita aloja-se no coração e artérias pulmonares, podendo, em casos extremos, levar à morte do animal.

“A doença é transmitida aos cães no litoral devido à presença dos pernilongos. Existem medicações muito modernas que previnem o parasita e devem ser administradas ao cão um mês antes, no mês da viagem e um mês após o passeio”, esclarece Mário.

Ele ressalta que o tratamento da dirofilariose é muito difícil e prolongado. Sendo assim, a prevenção é fundamental. A proteção contra pulgas e carrapatos também deve ser feita, além de manter os animais sempre com a vacina e vermifugação em dia.

Cães e gatos de rua circulam na praia à noite e contaminam o local com fezes, ou seja, a área oferece aos animais domésticos riscos de contágio de doenças de pele e verminoses.

“As doenças de pele são muito frequentes, principalmente decorrentes do contato com a água do mar e a areia. Por isso, devemos evitar a ida do animal à praia. Uma caminhada pelo calçadão pode ser muito mais saudável e divertida”, argumenta o veterinário.

Banhistas também em risco

Além das ameaças à saúde do animal, a presença dos pets na praia e mergulhos no mar podem oferecer também riscos à saúde dos turistas.

“As fezes dos animais, quando não vermifugados, podem transmitir pela areia algumas doenças. Essa é mais uma razão pelas quais não devemos levar cães à areia”, diz.

Apaixonada por cães, a esteticista Maria Rita Rodrigues já passou por situações complicadas à beira-mar ao tentar passear com seus cães, Pinguinho e Flocs, dois pugs. “No ano passado, durante uma temporada no Guarujá, um grupo de turistas se incomodou com a presença dos cachorros e começou a nos ofender. Meu filho ficou assustado e os cães começaram a ficar estressados com o tumulto ao nosso redor. A solução foi pegar nossas coisas e voltar para casa”, relata.

Após o incidente, Maria preferiu não levar mais os animais à praia. Durante as férias, eles ficam em hotéis ou na casa alugada durante os passeios da família.

(Fotos: Getty Images)

* Valores pesquisados e válidos em novembro/2014.