Pets

Vale a pena dar um peixe para seu filho?

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Se o peixinho está na sua lista de possíveis bichinhos de estimação para o pequeno, vale a pena conhecer nossa experiência!

Vale a pena dar um peixe para seu filho?

Minha filha Catarina chegou àquela idade em que sua maior vontade é interagir com outras pessoas, além do pai e da mãe. Por muitos meses, saindo da escola, ela dizia que tinha um grande desejo: que seus coleguinhas fossem todos seus irmãos.

Como já comentei aqui, dificilmente terei outros filhos, além da pequena. Depois de explicar isso a ela, a saída (que, aliás, ela mesma encontrou) foi sugerir um bichinho de estimação para a família, para que tivesse mais companhia.

Viajamos bastante aos fins de semana e seria difícil adequar um cãozinho ou um gatinho à nossa rotina. Não são todos os lugares que aceitam esse tipo de animal e eu não estava disposta a pedir que meus pais cuidassem do novo "membro" da família na nossa ausência (afinal, eles também estão em uma fase da vida em que querem - e merecem! - dispor de seu tempo livre como bem entenderem).

Nunca tive um hamster ou um porquinho da Índia, por isso a ideia não me soou muito fácil. Até que, enfim, em uma bela tarde de inverno, resolvemos dar um peixinho à Catarina.

Muitos amigos nossos, principalmente os que também têm filhos únicos, ouvem o mesmo pedido do bicho de estimação, e acabam nos perguntando se achamos que a experiência é válida.

"Dá trabalho?", "Vocês conseguem viajar sem ele?", "Dá para interagir de alguma forma ou depois de um tempo é como se ele não existisse?". Esses são os principais questionamentos que ouvimos, e como sei que eles são as mesmas preocupações de outras mães e pais por aí, resolvi contar como as coisas têm funcionado por aqui.

Ter um peixe dá trabalho, mas é infinitamente menor do que o que você teria com um cão ou gato.

Sim, você terá que lavar o aquário periodicamente (me disseram na loja que todas as semanas, mas a verdade é que tenho lavado a cada 20 dias, e o peixinho continua muito bem, obrigada!), terá que se lembrar de dar ração algumas vezes por dia, terá que arranjar um esquema de alimentação, se precisar se ausentar por um tempo.

Para nos ajudar com essa tarefa, compramos um alimentador automático que tem sido a salvação em feriados prolongados: nós viajamos e deixamos o motor funcionando, para que uma pequena caixinha vire a cada 12 horas, liberando as bolinhas de comida na água. Até agora, nosso pequeno Johnny (como carinhosamente o chamamos) tem se adaptado bem às nossas ausências.

Agora vem a parte menos interessante: não dá para esperar o mesmo laço emocional que se tem com um mamífero, se você optar pelo peixe. Seu peixinho não te receberá na porta depois de um dia fora de casa, não latirá ou miará diante da comida preferida, não correrá com você por gramados verdinhos, nem ficará em seu colo (ou no do seu filho) para receber um carinho. Ele pode facilmente virar mais uma peça decorativa, se você não se esforçar um pouquinho para amá-lo.

Mas não é que um peixinho pode te surpreender também, se você se dedicar a ele?

Depois de um tempo, um peixe beta, como o que temos, reconhece os donos assim que eles entram no cômodo e saem correndo (Ops! Nadando!) para receber sua comidinha, no alto do aquário. Experimente deixá-lo sem comer por mais tempo do que está habituado. Ele vira uma verdadeira fera, e praticamente "voa" sobre a ração! Também é fofo ver como ele se diverte com castelinhos e plantinhas dentro da água e como ele "dança" feliz quando está com "a barriga cheia". 

Sempre que viajamos, nos pegamos pensando se nosso azulzinho está bem em casa. Quando chegamos, por incrível que pareça, ele se alegra também!

Estamos curtindo bastante, porque ele se adaptou perfeitamente à nossa realidade. Mesmo sabendo que ele, no máximo, durará um ou dois anos.

(Foto: 123RF)