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Como ter um filho criativo

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

A criatividade está em toda criança. É preciso que nós, pais, deixemos que ela apareça!

Como ter um filho criativo

Durante muito tempo eu me considerei uma pessoa de pouca criatividade. Sempre gostei de artes em geral, me arrisquei a fazer aulas de pintura, e ficava assustada com a facilidade com que os outros alunos idealizavam uma imagem e conseguiam traduzi-la nas telas. Eu não sei exatamente em que ponto isso mudou, mas tenho quase certeza de que foi após a maternidade.

Para criar uma criança você tem que desenvolver jogo de cintura, flexibilidade e também criatividade! Quando bebês, eles enjoam em cinco minutos de um objeto, e a não ser que você tenha uma loja inteira de brinquedos dentro de casa, tem que aprender a fazer novas brincadeiras com o que está disponível.

Assim que Catarina nasceu, comecei a me perguntar o que fazia de uma criança um ser criativo. Eu gostaria que ela pudesse aproveitar os benefícios da criatividade desde cedo e não ter que fazer tanto esforço para que ela aflorasce, como aconteceu comigo. E nessa busca por uma educação criativa, eu me deparei com algo que gostaria de compartilhar com vocês (uma observação minha e que coloco aqui em discussão; se você discorda de meu ponto de vista, esteja à vontade para colocar o seu nos comentários!): toda criança nasce criativa; é o meio em que ela vive que a cerceará mais ou menos, de forma que essa criatividade fique à flor da pele ou não.

Darei alguns exemplos práticos do que já me peguei fazendo e depois percebi que afastavam minha filha da criatividade que tanto desejo para ela: 

- "Ordenar" seus desenhos e pinturas: "filha, por que você está pintando a árvore de cor-de-rosa, se na verdade ela é verde?" (claro que haverá um momento em que será importante que ela aprenda a reproduzir a observação do que a cerca, mas por que não deixar que ela pinte livremente aos três anos de idade?).

- Tornar concreto o que ela imaginava: Catarina muitas vezes tomava um chá imaginário com suas bonecas. Ao invés de entrar na brincadeira do faz de conta, eu saía correndo para providenciar xícaras!

- Mostrar como um brinquedo "funciona". Ao invés de deixá-la explorar, tentar do seu jeito, lá ia mamãe mostrar o passo-a-passo de como interagir com o objeto. Como se houvesse apenas uma forma de brincar com ele! Quando deixei que minha filha o manuseasse sozinha, descobri que ela poderia me apresentar formas alternativas de brincadeira ("como é que eu nunca havia pensado naquilo?").

- Dar brinquedos prontos. Sabe aquele bichinho de pelúcia com mil funcionalidades (canta, dança, mexe os olhos, etc)? Pois é, percebi que Catarina não precisava imaginar que ele fizesse nada (porque ele fazia "de verdade"!). Conclusão: em vinte minutos a brincadeira tinha ficado tediosa. Agora prefiro dar blocos de montar (em que primeiro ela tem que construir algo - que depois vira um castelo, uma casa, uma torre), bonecas simples que não restrinjam sua forma de brincar. Recomendo a leitura desse post aqui, também do Disney Babble, com sugestões incríveis de brincadeiras dentro e fora de casa que acompanham essa linha do deixar a criança se expressar.

Enfim, aqui em casa optei por deixar que a brincadeira corra o mais livremente possível (respeitando os limites do que é seguro e do que considero apropriado para a idade da pequena). Espero que assim, a criatividade encontre espaço para se manifestar!

* Na foto, a casinha de bonecas de Catarina, que ela mesma pintou ("mamãe, eu não quero o telhado todinho vermelho, posso fazer de várias cores?"). Tive que me controlar para não fazer do meu jeito, para que ficasse esteticamente bonita aos meus olhos. Afinal, a casa não era dela?