Comportamento

Casais, namorem!

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Quantas vezes por dia você consegue tratar com palavras gentis seu amor, com a voz doce com que fala com seus pequenos filhotes?

Casais, namorem!

Muitos amigos dizem que meu marido e eu somos “benchmark” como casal. Eu respondo que o segredo é que ainda nos sentimos namorados e nesta hora sempre me vejo como uma daquelas “velhinhas” de cabeça branca, passeando de mão dada com o marido, contando histórias que parecem da Carochinha. 

Isso porque, se me falassem, há 23 anos, que meu namoro que começou na saída da escola duraria uma vida inteira, eu duvidaria. Mas durou!

No final de semana passado viajamos, cumprindo uma das nossas tradições de namoro, que é comemorar o dia em que começamos a sonhar a família que temos hoje. 

Sonhar é importante, mas saber estar junto é o que faz a diferença. Eu me pego observando às vezes cenas entre os casais em locais públicos (supermercados, shoppings e até em parques) e, em especial, quando são pais de crianças pequenas, frequentemente parecem duas pessoas estranhas, cada um olhando para um lado, pegando coisas, abstraídos em si mesmos, caminhando separados e conversando apenas sobre coisas práticas.

Nada de “meu amor”, “obrigado”, “por favor” ou cenas em que um abre ou segura a porta para o outro passar. O que me faz pensar que, na vida privada, uma “carência” de gentileza se repita: poucos esperando o outro para começar a comer, trazendo um refresco para quem lê ou vê TV na sala, a delicadeza de lembrar de deixar a toalha de banho para quem usará o banheiro depois, a cortesia que parece apenas preceder os momentos de troca afetiva e que faz o todo da boa relação.

Há quanto tempo vocês não conseguem se sentar juntinhos no sofá, mesmo quando a família está reunida? E quantas vezes por dia você consegue tratar com palavras gentis seu amor, com a voz doce com que fala com seus pequenos filhotes? Acho que a diferença dos casais felizes e dos casamentos longos é manter vivo o namoro que começou esta relação. 

Depois que temos os filhos parece que esta vivência amorosa com o parceiro se torna uma questão secundária (ou deixada para milionésimo lugar, lá na fila das coisas que queríamos fazer, mas não são urgentes), quando na verdade ela é prioritária porque deu início e deve dar sustentação à família.

Ficou com vontade de voltar a esse tempo? Você pode voltar a contar os anos juntos como nós fazemos (e assim temos motivos para muitas comemorações românticas). E se parecer muito distante, que tal recuperar as mãos dadas na rua, o beijo de tchau e de oi, o sentar perto no sofá?

LEIA TAMBÉM
Casamento e crescimento profissional podem ser aliados? 
O casamento permite que você irrite uma pessoa especial pelo resto da sua vida

(Foto: FreeImages)