Comportamento

Da ficção para a vida real

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Às vésperas da estreia do novo longa sobre minha princesa querida, percebo que eu também sou Cinderela e fui a menina que sofria quieta uma rejeição que parecia não ter fim

Da ficção para a vida real

Cada menina tem sua princesa favorita. Conforme crescemos ou quando surgem novos contos de fadas, a favorita pode mudar, mas acredito que muito do que a gente é não muda - e o ícone que escolhemos para ser nosso alterego tem significado para todo o sempre.

Acho que a primeira princesa da qual gostei foi Branca de Neve, possivelmente porque era uma das poucas não loiras! (risos). Mas em pouco tempo comecei a achar bem chata aquela vida de espera e de cuidados com a casa que ela tinha (risos novamente).

Foi aí que me encantei com a Cinderela. Sua resiliência e suas atitudes afetuosas com todos - até com as megeras irmãs e madrasta - me pareciam a perfeição humana. Ela era a princesa mais humana da minha infância, com suas roupas cotidianas surradas, as unhas sem manicure, o trabalho sem fim.

Cinderela representava também o melhor em redenção e mudança de vida: ela vai ao baile, não é resgatada, foge do príncipe, não sucumbe sem pensar aos encantos dele, ela atende (meio atrapalhada) aos horários e compromissos previamente combinados com a Fada Madrinha.

Às vésperas da estreia do novo longa sobre minha princesa querida, percebo que eu também sou Cinderela. Em muitos momentos, fui a menina que sofria quieta uma rejeição sem fim, uma perda doida de quem nos ama, uma situação que nenhum beijo de príncipe resolve.

Se tem uma característica dela com a qual me identifico, para muito além da pobreza do cotidiano e das dificuldades, é o desejo de agradar a todos e de ser gentil e até servil para alcançar esse intento.

De criação oriental, eu sempre pensei que as pessoas gostariam e esperavam uma postura de respeito com os mais velhos, de dedicação incondicional à família, de lealdade nas amizades.

Mas, como a Cinderela, colecionei tristezas, frustrações e o que pareceu muitas vezes injustiça, mas que, na verdade, é o resultado da nossa incapacidade de pensar também no nosso bem-estar ao fazer escolhas.

Creio que muitas de nós agimos como Cinderela ao insistirmos em relações familiares que não dão certo, quando achamos que temos que aceitar os maus-tratos ou a indiferença desta ou daquela pessoa "porque, afinal, é da família", quando tentamos "forçar" um amor familiar que não nos faz bem.

Em especial, acho que todas somos um pouco Cinderela quando idealizamos que o casamento nos trará um laço de afeto e apoio com as melhores qualidades familiares, esperando que a "nova mãe, as novas irmãs" nos amem como nós amamos.

Ainda não vi o novo filme, mas pensando na Cinderela de Caminhos da Floresta (filme que apreciei muito e sobre o qual falei neste outro texto), creio que descobri meu caminho para a felicidade com meu príncipe, deixando de lado as outras pessoas que não me fazem bem e concentrando minha vida no que eu faço de melhor.

 

Eu acredito que existe uma Cinderela em cada uma de nós. Não pela aparência, mas pelos valores, bondade, delicadeza e a coragem para lutar por seus princípios. Então digo para o mundo: ‪#‎EuTbSouCinderela.

 

(Foto e vídeo: Acervo Disney)