Comportamento

Deixar ou não a tatoo, eis a questão

Tatuagens, brincos e piercings são marcas para a vida toda. Aprenda como reagir no momento em que seu filho adolescente pedir um

Deixar ou não a tatoo, eis a questão

Ah, a adolescência... Fase de incertezas, comportamentos e humores intermitentes, de autoafirmação, de descobertas sem fim.

É período em que os jovenzinhos buscam um estilo próprio, a identificação com os grupos e, também, ser diferentes – inclusive no quesito visual.

Tatuagens, piercings, brincos tornam-se assunto intenso e, algumas vezes, podem provocar situações ruins entre entre pais e filhos.

Quando foi a vez de Regianne Durante, mãe da Isabella, encarar a saia justa, ela tirou de letra. Sua filha tinha apenas 14 anos no episódio em que pediu para colocar o primeiro piercing.

“Sou muito tranquila e cabeça aberta pra essas coisas”, diz a administradora de empresas. Um ano depois, foi a hora da tatuagem. “Também disse ‘sim’. Apenas exigi acompanhar todo o processo, desde a escolha do desenho até a temida fase das agulhas. Sem dramas!”, relata.

A boa assessoria da mãe deu resultado: hoje, Isabella tem 22 anos e convive muito orgulhosa com as escolhas feitas.

No entanto, o final feliz de Regianne e Isabella não é fato certo para todo mundo. Por isso, essa é uma das conversas para as quais, com certeza, os pais precisam se preparar.

No Brasil, menores de 18 anos precisam de autorização por escrito dos responsáveis para uma tatuagem definitiva ou um piercing, segundo a Anvisa.

O que fazer

Procuramos duas especialistas – a psicóloga infantil Rachel Netto e a também psicóloga Renata Carvalho – para montar um passo a passo direcionado às mães que ainda não se sentem confortáveis com a situação.

A decisão é complexa e merece uma reflexão profunda a respeito. Afinal, o intuito é que todos saiam felizes e, especialmente, não herdem marcas de arrependimento – às vezes, para sempre.

  • Proibir nunca é a melhor opção. O diálogo franco e aberto, que exponha todas as dificuldades do processo, auxiliará o adolescente a compreender sua decisão. Se estiver com dúvidas, diga que prefere que ele atinja a maioridade para que se decida.
  • Há procedimentos que permanecerão por toda a vida, como as tatuagens, e alguns mais simples que podem cicatrizar, como os piercings. Avalie o desejo do seu filho, ponderando isso também.
  • Busque compreender as razões pelas quais ele gostaria de fazer o procedimento: pertencimento a algum grupo, aceitação, simplesmente modismo... Ali pode estar a resposta para sua dúvida.
  • Certifique-se de que está claro para os jovenzinhos: tatuagens são marcas para a vida. Além disso, os procedimentos disponíveis para retirá-las não o fazem de forma completa, são doloridos e caros.
  • Apesar de, atualmente, tatuagens serem mais aceitas, alguns ambientes profissionais prejudicam pessoas com o corpo pintado.
  • Alargadores, por exemplo, podem causar deformidades para o resto da vida, que nem mesmo uma correção plástica consertará.
  • Sempre lembre seus filhos de que o procedimento exige cuidados com a saúde. Por isso, devem ser procurados lugares de confiança. É importante que os pais os acompanhem até o estabelecimento escolhido para visitá-lo antes e que assistam a execução em outras pessoas.
  • O custo envolvido deverá ser arcado por alguém. Isso também pode ser um fator a ser negociado com o filho adolescente.
  • Por fim, apenas os pais conhecem qual a real maturidade dos filhos. Se acharem que ainda é cedo para tamanha decisão, determinem um tempo para reflexão de ambos os lados.

 

(Foto: Getty Images)