Comportamento

Filho único: afinal, é bom ou ruim?

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Quando se tem apenas um filho, é inevitável avaliar se você deveria engravidar novamente

Filho único: afinal, é bom ou ruim?

Eu venho de uma família grande e sem filhos únicos. Na casa de meus pais éramos em três irmãs, por isso não soube durante a infância o que era estar sozinha. Acordávamos juntas, íamos para a mesma escola, brincávamos, passeávamos... Dormimos no mesmo quarto até o dia do meu casamento (e, se por muitos anos eu desejei ter um quarto só para mim - afinal, eu era a filha mais velha e as outras, duas "pirralhas" que queriam mexer nas minhas coisas -, a vontade passou quando chegamos à idade adulta, pois dávamos boas risadas e conversávamos até que o sono chegasse).

A experiência de ter irmãs foi tão boa que o plano inicial sempre foi ter dois filhos (pelo menos, o meu plano!). Quando discutia com meu marido a questão, sua resposta era "vamos ter o primeiro e depois nós decidimos" (hoje vejo o quanto ele era sábio!).

De fato as coisas vão tomando seu caminho, e no meu caso, a ideia de ter mais de um filho provavelmente não se concretizará (como já contei nesse relato para o meu blog pessoal, fui diagnosticada com menopausa precoce meses antes de engravidar de minha filha Catarina, o que significa que seu nascimento já foi considerado improvável, quanto mais uma segunda gestação). 

O fato é que eu nunca deixei de me perguntar se minha pequena seria feliz sendo filha única. No meu modelo de felicidade sempre existiram irmãos, as pessoas que estariam ao seu lado por toda a vida, independente das dificuldades que encontrasse. Até que, outro dia, conversando com uma amiga que é única, ela me disse: "os amigos são os irmãos que você escolhe. Por isso nunca me senti só e tenho certeza de que não me sentirei daqui para frente". Ufa, um pequeno alento para o coração preocupado de uma mãe!

Ter um filho único significa que você se doa integralmente a ele. Claro que eu acredito que ao ter dois ou mais o amor não fique dividido, muito pelo contrário! Mas o grau de atenção que você consegue dedicar quando é apenas um é diferente (o que tem seu lado positivo - o de acompanhar o crescimento e o desenvolvimento nos mínimos detalhes - e também o negativo - o de, mesmo que inconscientemente, projetar suas expectativas em uma única pessoa). 

Se eu teria mais um filho se pudesse? Sim, eu teria. Apesar de ter que encarar mais alguns anos de fralda, noites mal dormidas e birra, meu coração ainda sente o desejo de mais um integrante para nossa família. Se eu acho que minha filha seria mais feliz com um irmão? Acredito que, independente das condições que a vida nos ofereça (inclusive a de ter ou não irmãos), somos nós quem construímos nossa felicidade. E que, se não forem biológicos, ela possa encontrar muitos irmãos-amigos em seu caminho.

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