Comportamento

O primeiro dia de aula na nova escola

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

O que acontece com a gente quando os filhos vão para um colégio diferente, seja pela primeira vez ou porque mudaram

O primeiro dia de aula na nova escola

Essa semana muitas crianças começaram a frequenar a escola. Outras centenas de milhares farão isso na próxima.

Boa parte desses alunos estão pisando pela primeira vez no colégio onde vão estudar. Alguns porque nunca frequentaram uma instituição de ensino. Uma parte porque mudaram de escola. Meu filho mais velho se encaixa nessa segunda turma. 

Em dez anos, é a segunda vez que Samuel troca de colégio. Ele lida melhor com essas mudanças do que eu. Sou 200 vezes mais ansiosa do que ele. Fico sem dormir direito. Tenho uns sonhos muito loucos no mês que antecede o início dessa troca - no caso janeiro.

Já andei tento uns pesadelos envolvendo meu filho e a escola nova. Por que isso acontece comigo?! Freud explica, com certeza. Mas desconfio que deva ser um sistema de proteção, prevendo sempre o pior, claro.

Mas tem como não ficar ansiosa com alterações tão importantes quanto essa? No caso dele, tudo é absurdamente novo: a começar pelo horário. Até o ano passado, estudava de manhã. Agora, será a tarde. Ou seja, a rotina dele, vai mudar completamente. A minha também.

Mudou o bairro. Logo, o GPS interno do meu filho terá de ser reprogramado para conhecer, se adaptar aos arredores da nova escola. Mudou o transporte. Agora, vai e volta de transporte público e todas as suas surpresas. Não terá amigos pois está indo sozinho. Terá de fazer novos laços de amizade, o que demanda tempo e um tanto de desgaste emocional.

Na antiga escola, eu conhecia todos os funcionários. Podia não lembrar do nome de alguns, mas sabia quem eram. Eu também era conhecida por todos, das donas da escola às faxineiras. Agora não sou ninguém. Ou melhor, sou apenas mais uma mãe entre 3 mil. Meu filho é só mais um, também.

Enfim, vivemos uma aposta no escuro. Não sabemos muito bem qual será o final dessa história. Há 50% de chance de dar certo. Outros 50%, não.

No que de depender de mim, farei tudo que estiver ao meu alcance para dar certo.

O problema é que não se trata da minha vida. Não tenho controle de nada. Fico apenas na torcida para o melhor, que ele consiga se adaptar rápido. Faça novos e bons amigos, de boa índole e siga em frente com as próprias pernas.

E que eu consiga controlar a minha ansiedade (porque parece que chega o Carnaval, mas não chega dia 2 de fevereiro).

Um beijo e boa sorte a todas as mães que estão na mesma condição que eu.

Patrícia