Comportamento

Quando o filho não quer emprestar

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Obrigar o pequeno a compartilhar o brinquedo? Deixar que as crianças resolvam o problema sozinhas? O que uma mãe deve fazer em uma situação como essa?

Quando o filho não quer emprestar

Existe um momento marcante na vida de toda mãe: a primeira vez em que o filho grita: “é meu!”. Não sei exatamente quando surge o sentimento de posse – se ele é inato ao ser humano, ou desenvolvido com base na observação do que o bebê vê ao seu redor (“não pode mexer, é da mamãe; tome cuidado, isso é do papai”) -, mas o fato é que causa uma certa estranheza um ser tão pequenininho manifestando sua vontade de se apropriar de um objeto.

Aí, o coração de mãe fica ligeiramente apertado. Você, que já percebeu ao longo da vida o quanto é necessário o aprendizado do dividir, do compartilhar, começa a achar que, se não tomar uma atitude a partir daquele momento, corre o risco de criar um filho déspota.

Estamos nesse aprendizado há mais de um ano aqui em casa. E durante esse período, Catarina já me mostrou o quanto é importante a constância – no que se fala, e principalmente no que se faz.

Eu acredito que a generosidade também é, de certa forma, aprendida. Para que isso aconteça, a criança precisa descobrir quem é o outro, quais são suas vontades e porque deve ser respeitado. Ao enxergar que a mãe, o pai, ou uma outra criança também tem suas necessidades, fica mais fácil para um filho dividir o que ele julga ser seu.

Porém, não basta explicar, porque com suas antenas ligadas, os pequenos percebem as entrelinhas da linguagem não verbal. Assim, não há melhor modo de ensinar generosidade do que mostrar, nas suas ações, atos generosos.

Também não acho que pais e mães devam intervir sempre em uma briga pela posse. Porque, cá ente nós, desejamos que eles cresçam fortes o bastante para se defenderem no mundo lá fora, cheio de hostilidade?

Acho que o melhor é seguir o sexto sentido materno/paterno, que mostra quando interferir, quando contemporizar e quando dar um passo atrás, deixando espaço para que o filho se posicione. Fácil não é, mas entre erros e acertos, nós, pais, vamos melhorando também.

 

(Imagem:greg westfall/Creative Commons)

comentarios bebes, crianças, comportamento