Comportamento

Quando suas amigas não têm filhos

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Ao se tornar mãe, suas prioridades mudam. Mas é preciso reservar um espaço na agenda para preservar antigas amizades

Quando suas amigas não têm filhos

Eu me casei aos 26 anos - muito cedo para minha geração. A maior parte das amigas com quem convivi no colégio ou na faculdade deixaram a solterice pelo menos cinco anos mais tarde, época em que eu estava grávida de minha filha Catarina. Isso significa que, em relação a essa turma, eu fui a primeira a se tornar mãe.

Enquanto todas estavam curtindo passeios, viagens e os primeiros anos de casamento, eu estava entre fraldas e paninhos de boca. Dois universos completamente diferentes! A verdade é que, de uma hora para outra, eu não tinha mais as mesmas prioridades que elas. 

Sair para jantar no fim de semana? De forma alguma... Tudo o que eu desejava era ir para cama mais cedo, porque sabia que acordaria dali a no máximo duas horas, para amamentar. Ir ao cinema? Só se fosse Cinematerna, com a pequena a tiracolo! Era como se não falássemos mais a mesma língua, e eu me senti isolada, em diversas ocasiões.

Mas como toda experiência de crise tem seu lado positivo, esse período foi importante para que eu descobrisse quem eram de fato minhas verdadeiras amigas. Aquelas que não se importavam em passar o fim de semana em minha casa, ajudando a balançar o carrinho de bebê, apenas pelo prazer de estarmos juntas. Com essas, o vínculo de amizade aumentou, porque percebi que estavam comigo em quaisquer circunstâncias.

Passados os primeiros meses de maternidade, percebi que elas precisavam que eu também me esforçasse. Porque, obviamente, não queriam apenas falar de amamentação, chupeta, cólica, etc. Então foi a minha vez de dar minha parcela de dedicação à amizade. Eventualmente, deixava minha filha duas ou três horinhas com o marido, com a mãe ou com a sogra, para que pudéssemos ter um tempo só nosso.

O resultado disso tudo é que algumas delas viraram "tias" postiças de Catarina. Algumas se valeram dos meus conhecimentos sobre maternidade quando tiveram seus filhos (eu era a consultora oficial, disponível os sete dias da semana); outras, ainda não são mães, mas entendem muito sobre o mundo da maternidade (como se houvessem feito um curso intensivo!). E assim seguimos, sempre juntas e unidas. Companheiras para o resto da vida!

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