Comportamento

As redes sociais e os minifamosos

Plataformas podem projetar muitas crianças, que se transformam em referência na web. Saiba como os pais podem lidar com essa situação

As redes sociais e os minifamosos

As redes sociais surgiram modificando nosso modo de agir diante da internet. Aos poucos, muitas delas, como o Facebook e o Instagram, viraram palco, transformando pessoas anônimas em referências ou celebridades.

E assim, quase do nada, quem tinha apenas uma rede de amigos, passa a ter milhares de seguidores, desconhecidos acompanhando o seu dia a dia. E isso não é só com os adultos, não.

Crianças também ganham projeção e se revelam verdadeiros minifamosos. Aí vem a parte mais difícil: como lidar com a fama e evitar que interfira no desenvolvimento da criança?

Para Paula Queiroz, mãe de Julia Silva, 9 anos, a resposta para isso é simples: ela monitora todos os contatos que fazem com a filha (foto abaixo). 

Julia

“Julia ainda não está preparada para lidar com algumas situações. Filtro as mensagens, só aprovando comentários positivos e críticas construtivas, bloqueio alguns usuários quando necessário e fico do lado dela quando vai responder as mensagens ou conversar no bate-papo com os fãs”, revela a mãe, para quem, na iternet, todo cuidado com as crianças é pouco.

A fama de Julia nas redes sociais foi instantânea. Seu primeiro vídeo envolvia uma casinha reciclada que ela havia montado e postado para que o pai, que estava na França, pudesse ver.

Na época, a menina tinha 6 anos e foi a partir daí que os fã começaram a aparecer e pedir mais vídeos. Hoje, Julia tem mais de 130 mil seguidores no YouTube, 20 mil no Facebook, 9 mil no G+ e 12 mil no Instagram. Haja fôlego para monitorar tanta gente.

Paula conta ainda que filtrar as críticas, que nem sempre são construtivas, é fundamental para que Julia não se sinta prejudicada por causa da exposição.

“Decidimos desde o início não nos incomodarmos com as críticas sem sentido - existem pessoas que acessam a internet apenas com o intuito de falar coisas ruins. Eu e meu marido conversamos bastante com ela e explicamos que todo mundo que se expõe está sujeito a receber comentários bons e ruins e que o importante é ela continuar sendo do jeito dela e nunca mudar por causa disso”, conta a mãe, cautelosa.

Julia só tem acesso aos comentários pré-selecionados pela mãe. “Não quero que ela seja influenciada por comentários maldosos e perca a sua alegria e espontaneidade”, justifica.

Família preparada

Para Larissa Cantagalli, mãe de Valentina, de 2 anos e 9 meses (abaixo), não são apenas os filhos que devem se abster das críticas, mas os pais também. Valentina começou a chamar a atenção quando Larissa postou uma foto dela com um look parecido ao da apresentadora de TV Ticiane Pinheiro. 

Valentina e Larissa

A própria apresentadora gostou e repostou a foto, o que fez o perfil do Instagram de Larissa ganhar muitos seguidores - hoje são quase 35 mil. Desde então, ela sempre posta os looks moderninhos da filha, e isso não agrada muitas pessoas.

“Para muitas mamães, essas roupas não são para crianças, e ainda vão mais longe; acham que uma simples roupa que não tem bichinhos ou temas infantis é uma precoce adultização, que faz a criança pular etapas”, conta Larissa.

“Dificilmente respondo a esses comentários, uma vez que cada um tem seu ponto de vista. Como mãe, não vejo prejuízo nenhum para Valentina”, desabafa.

Larissa frisa ainda que essa exposição não faz com que a filhota deixe de levar uma infância normal, sem fazer o que qualquer criança gosta. Valentina pula na cama, anda de bicicleta, brinca no parque, joga bola, brinca de boneca, se suja... 

“Ela usa moletom, camiseta, legging, tênis... Essas são a maioria das peças dela no guarda-roupa. Mas essas roupas têm estampas modernas, e quase nenhuma com temas de filmes ou desenhos”, explica Larissa.

Pais por perto

Para Susana Orio, psicóloga clínica e orientadora educacional do Colégio Madre Alix, em São Paulo, os pais têm papel fundamental na hora de evitar que essa exposição atrapalhe as crianças.

“O importante é que os pais sempre supervisionem, pois essa exposição pode interferir na formação da identidade e do caráter da criança”, salienta. De acordo com a psicóloga, muitas vezes a criança passa por um papel em que a colocaram, e acaba se sentindo pressionada a ser aquilo que os outros esperam dela.

“Como ainda estão em formação psíquica, é importante que os pais deem espaço para a criança escolher e descobrir seus próprios desejos”, recomenda a especialista.

(Foto: Getty Images e Arquivos pessoais)