Educação e Desenvolvimento

Como ajudar o bebê a falar direito?

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Tatibitate não é a fala de bebê, é aquela linguagem infantilizada utilizada pelos adultos quando se dirigem aos pequenos. Como mãe de uma pecorrucha, sei que é difícil resistir, mas é preciso!

Como ajudar o bebê a falar direito?

Dizem que Babble, o termo que dá nome ao nosso site, vem de balbuciar. Balbucio é a primeira fala do bebê e uma das coisas fofinhas de ter um pequeno em casa é ouvi-lo falar “a bóa” (bola), “imão” (irmão), “aga” (água).

Mas a gente precisa cuidar para não reforçar o tatibitate e transformar o que seria uma fase passageira num hábito desnecessário. Ou seja, o bebê pode falar do jeito dele, mas a gente precisa continuar falando as palavras corretamente ou mais tarde nossos filhos vão sofrer para adaptar a fala ao que seria adequado à sua idade.

Tatibitate não é a fala de bebê, é aquela linguagem infantilizada utilizada pelos adultos quando se dirigem aos pequenos. Como mãe de uma pecorrucha, sei que é difícil resistir a "papati" no lugar de "sapato", mas é preciso!

Eles querem aprender e podem, sabem por que?

Antes de nascer, o bebê já escuta sua mãe e quem fala à sua volta. Ao nascer, ele ouve, aprende o significado das palavras, produz seus próprios significados e começa a imitar a gente e usar os termos familiares. Então, por que ensinar errado, se ele pode e deve aprender o certo?

Como dizem, só aumenta o trabalho! Aprender o errado, desaprender o errado e aprender o certo.

Isso não quer dizer que o bebê precisa falar perfeitamente, sem erros, sem trocas de letras e sons. É normal falar como bebê quando se é pecorrucho, mas eles aprendem e, quando a gente deixa, eles logo trocam as palavras por outras mais elaboradoras e chegam ao termo correto, com pronúncia perfeita. A “aga” vira “água”, o “miau” vira “gato” e eles começam a repetir com orgulho as palavras que acertam, felizes e orgulhosos de seus feitos.

Como fazer? Basta não perpetuar os termos infantilizados. Quando o bebê pede “aga" você pode responder "você quer água? Espere um pouquinho que a mamãe pega água para você".

Especialistas em educação reforçam: para aprender a falar, as crianças precisam entrar em contato com o modelo linguístico correto. O que não significa usar palavras difíceis e incomuns e, sim, falar como se fala no dia a dia, sem diminutivos ou alteração de voz.

Além disso, o tatibitate pode trazer problemas futuros:

  • Na socialização: a infantilizada que parece fofa em casa ou palavra errada que vira sinônimo de uma coisa boa, pode virar piada e bullying na escola ou no clube.
  • Na alfabetização: como aprender a ler e escrever certo se a criança fala errado? O cérebro vai sugerir do jeito que está acostumado.
  • Na autoestima: afinal, quando demonstramos que confiamos nas capacidades e conquistas dos filhos, eles sentem-se seguros e confiantes para alcançar seu potencial máximo.

 

(Imagem: FreeImages)