Educação e Desenvolvimento

Lancheira: e quando a do seu filho é diferente da dos amiguinhos?

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Eu era a única mãe a mandar suco natural de lanche. E minha filha começou a se recusar a tomá-lo!

Lancheira: e quando a do seu filho é diferente da dos amiguinhos?

Catarina começou sua vida de estudante em outubro do ano passado. Na ocasião, ela era a única criança em adaptação escolar, o que me trouxe alguns benefícios (que ficaram muito claros agora, no início do ano letivo; várias crianças novas chegaram à escola, e os primeiros dias foram de pura turbulência, pois elas choravam ao mesmo tempo!).

Com os demais alunos integrados ao ambiente e à própria turma, a professora estava disponível para dar à pequena uma atenção especial, até que se sentisse à vontade em sua nova rotina. Por outro lado, minha filha era o elemento que chegava de fora, e tinha que se adaptar à uma dinâmica já estabelecida.

A pequena não teve dificuldade em fazer amizades. Esperta que só, Catarina tem uma tática certeira (que eu não sei onde aprendeu - juro que não ensinei, pelo menos conscientemente!). Já a vi fazendo mais de uma vez, ao encontrar uma criança desconhecida (em um parquinho, clube ou festinha).

"Qual é seu nome?", ela pergunta, toda faceira. E a menina (ou menino) responde: "É Julia" (ou Sofia, Laura, Beatriz, qualquer nome que você possa imaginar leva à mesma exclamação). "Nossa, que nome LINDO que você tem" (e ela coloca bastante ênfase no adjetivo!). "Vamos brincar juntas?". E é simples assim, ela agrada a outra, coloca um sorriso de orelha a orelha no rosto, e em cinco minutos estão grandes amigas! 

O problema, no caso da escola, foi outro. Minha filha percebeu, pela primeira vez, a força do grupo (e eu achando que isso não existia aos dois anos de idade!) e que não é fácil ser diferente da maioria. 

Após duas semanas de aula, Catarina começou a não tomar o suco que levava para a escola (era primavera, os dias estavam relativamente quentes, e era impossível que ela não tivesse sede). Embora ela não explicasse o porquê da recusa, bastou uma ida ao mercadinho da rua para entender o que ocorria.

"Mamãe, quero levar suco de caixinha na escola", disse ela ao ver o produto na prateleira. "Mas, filha, o suco que a mamãe faz em casa é muito melhor". "Ah, não é não, mamãe, eu quero esse, que é igual ao dos meus amigos! Por que eles disseram que isso é suco, o que eu levo não é". Captou a mensagem?

Então veio a dúvida: ceder e deixar que Catarina se sentisse mais facilmente parte do grupo (considerando o desafio da adaptação escolar)? Negar e fazer com que ela entendesse que não precisa agir como as outras crianças para ser respeitada?

Acabei optando pelo meio termo: comprei alguns sucos de caixinha (sucos mesmo, integrais e sem conservantes) e combinamos que ela os levaria em caráter eventual. Com isso tentei mostrar a ela que é possível ser flexível, sem abrir mão das suas convicções (no caso, a qualidade do suco); e que, em alguns momentos, é preciso se manter firme na sua forma de agir, mesmo que ela seja diferente da maioria (a garrafinha de suco natural). 

Se deu certo? Felizmente, deu sim! Depois de algumas semanas levando ambos os tipos de suco, sinalizou que gostava mais do que era feito em casa. Mas a dispensa passou a ter alguns de caixinha, para os dias em que a pequena quer uma novidade na lancheira.