Educação e Desenvolvimento

Liberando a criançada para as excursões escolares

Basta prestar atenção em alguns pré-requisitos para perder o medo de deixar que os filhos participem de atividades externas oferecidas pelos colégios

Liberando a criançada para as excursões escolares

É fato: as excursões escolares são fundamentais na sociabilização das crianças, pois permitem que conheçam hábitos e situações diferentes das que vivenciam no dia a dia. Mas muitos pais ainda ficam inseguros em liberar seus filhos para saídas e viagens com a escola.

Afinal, é difícil saber quando é a hora certa para que os pequenos participem de atividades do gênero, principalmente aquelas mais prolongadas, que envolvem o distanciamento da criança por mais de um dia.

Segundo a educadora Hidely Lopes, do Colégio Santo Ivo, “as excursões escolares podem acontecer a partir dos 3 anos, desde que o local seja adequado à idade da criança”. “Para os mais novos, atividades externas de meio período são essenciais para que ocorra a adaptação social”, afirma.

O convite da escola para essas saídas e viagens está completamente relacionado à proposta pedagógica de cada série e deve ser notificado e detalhado aos pais antecipadamente.

É importante perceber que, nesses casos, a confiança dos responsáveis na escolha feita pelo colégio deve ser plena. “Cabe ao colégio a avaliação da estrutura física - o ônibus, a segurança, o alojamento - e humana. Nenhuma direção escolar pode fazer saídas sem verificar esses pré-requisitos”, comenta Hidely.

Ao liberar os filhos para excursões, é responsabilidade dos pais darem à escola todas as recomendações necessárias para o bem-estar da criança - como informações sobre alergias, problemas alimentares, medicações regulares e medos ou fobias.

Outro dado essencial é o telefone de um ou mais responsáveis que possam ser facilmente encontrados em casos de emergência - mas apenas em casos de emergência! Afinal, é importante que os pequenos estejam imersos no novo universo que conhecerão durante as excursões.

“Como a maioria das crianças leva o celular para as saídas, fica difícil limitar a comunicação com os pais. Entretanto, em acampamentos, os celulares podem ser recolhidos, deixando que as crianças contatem as famílias em momentos específicos e possam aproveitar as atividades”, exemplifica a educadora Hiely.

Em casos de emergência, contudo, os acompanhantes das crianças na excursão - professores dos alunos ou membros da direção escolar - são os indicados para fazer o contato com os pais.

Quando a insegurança é a da criança

Um dos pontos mais importantes na hora de liberar (ou não) a criança para uma excursão escolar é considerar a vontade dela em participar da atividade externa.

Segundo Hidely, quando a criança não quer ir, a família não deve forçar. “A insegurança, o medo e a falta dos pais ao anoitecer, por exemplo, causam angústias que prejudicam totalmente o objetivo da saída”, ressalta.

Este é o caso de Daniela Bertacchini, mãe de Gabriela, de 9 anos. “A Gabriela sempre participa dos passeios, porque acho importante para o seu desenvolvimento. Ela já foi com a escola para o Sítio do Pica-pau Amarelo e Salesópolis, por exemplo. O próximo será para o Centro de São Paulo”, diz.

Entretanto, devido à insegurança da própria filha, Daniela ainda não a liberou para uma ida ao acampamento do colégio em que estuda.

“A Gabriela é tímida e até agora não foi para o acampamento porque não se sentiu segura. Esse ano, entretanto, já disse que combinou com a melhor amiga e que quer participar. Da minha parte, estou estimulando que vá. Eu fico de coração apertado, mas quero que ela participe”, comenta a mãe.

A atividade certa para cada idade

Para que as excursões sejam bem aproveitadas pelas crianças, é muito importante considerar o tipo de passeio certo para cada fase. Abaixo, alguns exemplos de excursões para cada faixa etária:

  • 2 a 5 anos: atividades de curta duração, como: teatros, parques temáticos, zoológico e circo;
  • 6 a 10 anos: atividades pedagógicas e lúdicas com foco em conteúdos programáticos, como uma visita ao aquário no período em que as crianças estão aprendendo sobre os peixes;
  • 11 a 14 anos: atividades pedagógicas integrais e de dois ou mais dias acompanhadas de monitoria especializada. Um bom exemplo é a visita às cidades históricas, em Minas Gerais.

 

(Foto: Getty Images)