Educação e Desenvolvimento

"Meu filho não toma refrigerante"

Por Helena e Joana Cardoso

Entenda como a alimentação pode influenciar o comportamento das crianças

"Meu filho não toma refrigerante"

Quantas vezes não escutamos mães orgulhosas, dizendo essa frase? Percebo que há hoje uma consciência maior da importância da alimentação saudável desde o início da vida, porém, sinto que algumas pessoas estão perdendo a medida entre a saúde e a doença.

É claro que é admirável você se preocupar em introduzir bons hábitos alimentares para seu filho, mas também é preciso apresentar a ele outras noções, como a de limite e equilíbrio.

Uma mãe que proíbe refrigerante, frituras, açúcar e os novos inimigos do momento, como o glúten e a lactose, apesar de ter a melhor das intenções, está, por um lado, oferecendo uma dieta nutritiva, porém, por outro, está deixando de oferecer a oportunidade de seu filho aprender a se perceber e fazer escolhas a partir disso.

Quando comemos chocolates demais e depois temos uma dor de barriga, ou quando sentimos a barriga estufar ao tomar muito refrigerante, estamos passando por experiências que nos serão importantes no futuro.

Precisamos desse tipo de registro para que más escolhas não sejam repetidas. Quando nos oferecerem três pedaços de bolo, devemos dizer não porque, por experiência própria, já sabemos que um pedaço é suficiente, e não porque nossa mãe proibiu.

Também me preocupa ver alimentos proibidos na dieta de uma criança porque, mesmo que algumas comidas de fato não tenham nenhum (ou pouco) valor nutricional, não vivemos só de nutrientes. Comida também esta associada a afeto, diversão e tradição cultural. Se nossa escolha fosse baseada apenas em valor nutricional, jamais provaríamos aquele docinho típico da casa da avó ou aquele salgado que é tradição na nossa cidade.

Acredito que saúde é oferecer uma rotina alimentar nutritiva, mas permitir ocasionalmente outros alimentos de muito valor afetivo e pouco valor nutricional. Como diz a frase popular “a diferença entre o antídoto e o veneno está na dosagem”.

Por Helena Cardoso

 

(Foto: FreeDigitalPhotos)