Educação e Desenvolvimento

O desafio do desfralde

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

A pergunta que toda mãe se faz: será que está na hora?

O desafio do desfralde

Existem processos no desenvolvimento da criança que nós, país, costumamos encarar com certo receio. Um deles certamente é o desfralde.

De um lado, achamos que os pequenos não estão prontos para ele ("será que meu filho já é mesmo maduro para retirar a fralda? Será que não vou forçar uma situação que seria mais natural daqui a alguns meses? Será que eu não deveria esperar um pouco mais?"); do outro, tememos esperar demais e não dar espaço para o crescimento do filhote, que passa necessariamente por esses desafios.

E há também a pressão externa: um parente, um amigo, que chega com mil opiniões sobre a melhor hora e forma de fazê-lo. O que acontece é que você mede todas essas forças, até que decide colocar o desfralde em prática.

Ele pode acontecer do dia para a noite, ou durar meses e meses. Para cada família acontece de uma forma (ou melhor, para cada filho! Pergunte a pais que têm mais de um, para ver como cada processo foi único!).

Aqui em casa o desfralde está prestes a completar um ano e as dúvidas continuam. No fim do ano passado, quando minha filha Catarina estava prestes a completar dois anos de idade, comecei a pensar sobre o assunto.

Ela dava sinais (ainda tímidos, pelo menos para mim) de que estava pronta para a primeira etapa - a retirada da fralda diurna. Algumas vezes, ela sinalizava que queria fazer xixi ou cocô (mas outras tantas, fazia sem dar nenhum sinal), ou tentava tirar a fralda assim que eu a colocava.

Mas eu a olhava e achava tão pequena! Que dúvida! O estímulo derradeiro veio em uma ida ao pediatra: ao fim da consulta, ao examinar e ver a desenvoltura de Catarina, ele soltou a frase: "Nívea, pode tirar a fralda, que ela já está pronta". "Jura?" Fiquei surpresa com a recomendação, mas como o santo Dr. Joaquim até hoje só acertou com minha filha, criei coragem de dar o primeiro passo. 

O primeiro dia foi um desastre. Mesmo oferecendo levá-la ao peniquinho a cada vinte minutos, foram quatro calcinhas molhadas. "Ótimo, pensei, nesse ritmo levaremos um seis meses!". No segundo dia: apenas um inocente xixi no chão (evolução!). Durante o restante da primeira semana, os acidentes foram ficando cada vez mais esparsos, até que ao fim de duas semanas, eles já não aconteciam mais. E não é que tinha sido mais fácil do que eu pensei que seria?

Mas ainda falta a fase dois - o desfralde noturno. E após um ano, ainda não tive coragem de fazê-lo. Fiquei esperando um sinal dos céus (ou seja, que a pequena passasse a acordar seca), que nunca aconteceu. E das poucas vezes em que tentei deixá-la a noite toda sem fralda (a última dela, a pedido própria filhotinha), a cama já estava molhada no meio da madrugada.

Conversando com muitas outras mães, as dicas foram animadoras: leve-a para fazer xixi antes de dormir e acorde-a no meio da noite. Diminua a ingestão de líquidos ao fim do dia. Acorde-a para fazer xixi à noite mesmo com a fralda, para que ela se acostume com essa rotina (e só depois desfralde de fato, para evitar os acidentes).

Enfim, táticas não faltam. Agora falta só a coragem (quem sabe marcando outra ida ao pediatra?).

 

comentarios desfralde, bebes