Educação e Desenvolvimento

Para não ser refém dos filhos à mesa

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

Veja os 10 principais erros cometidos pelos adultos na alimentação infantil

Para não ser refém dos filhos à mesa

Tem criança que come deitada sobre a mesa. Tem criança come andando pela casa. Tem criança que só come na frente na TV assistindo ao desenho da Galinha Pintadinha. Comer é um ato de sobrevivência, portanto, não deveria ser difícil nem complicado alimentar uma criança. Mas, em muitos momentos da minha vida de mãe, duvidei dessa máxima de necessidade fisiológica. Afinal, quem tem fome come o que tem ou de tudo, certo!?

Certo, se você já sabe falar. Errado, quando é um bebê ou uma criança de 15 meses, por exemplo. Eles sentem fome, claro, mas aceitam, geralmente, aquilo que gostam mais e que estão mais acostumados. Diante de algum sabor diferentão, glupt, devolvem no prato e fecham o tempo. Alguns berram, outros se jogam para trás, como Miguel fazia. Tem aqueles que abandonam o cenário. A mãe, preocupada, abandona o pratão rejeitado e recorre ao que o garoto gosta para ver se ele come, e o primeiro erro na alimentação infantil está cometido e ela está prestes a virar refém de um ser humano praticamente sem dentes, que mal anda, não fala, nem tem coordenação motora suficiente para levar um garfo à boca.

Pode gente grande virar refém de gente pequena? Pode, sim. Principalmente por falta de informação e medo que o garoto fique magrinho, pequenino, doente e anêmico. Ainda povoa o nosso imaginário que criança saudável é aquela que parece o boneco da Michelin, cheio de dobras e pernas roliças. Não existe nada mais fora de moda do que esse pensamento, avise as tias, sogras e vizinhas.

Criança come. Quem oferece precisa ter paciência. Se você, assim como eu não tem, recrute quem a tenha e passe a missão adiante para não correr riscos desnecessários de ter um chato à mesa com 15 anos, além de evitar cometer um dos dez principais erros na alimentação infantil. São eles:

1 – Como dito antes, dar apenas a comida que a criança aceita e sempre que ela rejeita correr para preparar a papinha preferida. Criança precisa aprender a experimentar.

2 – Oferecer papinha na mamadeira. Preciso assumir que cometi esse erro e levei a maior bronca do pediatra. Bebês têm de aprender a mastigar e não apenas sugar. 

3 – Deixe comer com as mãos e se sujar. O mundo chega aos pequenos pela ponta dos dedos e a boca. Não adianta querer que eles não se sujem durante o almoço ou jantar, com 10 meses ou 1 ano, feito lorde inglês. Só lá pelos 2 ou 3 anos é que os pequenos começam a ter noção das regras à mesa e têm habilidade para manipular sozinha o talher. Até lá foco na variedade alimentar.

4 – Comer na frente da TV. Já escrevi aqui algumas várias vezes porque não é legal fazer isso: porque se perde a noção de saciedade. Também já escrevi que recorri a esse expediente em dias de cansaço, preguiça ou ranhetice infantil. Mas o melhor é evitar.

5 – Ameaçar, brigar, gritar com a criança. Qual o sentido de colocar um chinelo do lado da mesa do cadeião e ameaçar a criança com uma chinelada caso ela não coma tudo que está no prato? Pois eu já presenciei essa cena. Tive vontade de pular no pescoço da mãe, claro!

6 – Oferecer refrigerante. Esse tipo de bebida não deve constar do cardápio infantil. Tem muito açúcar. Para alguns pediatras, os refrigerantes têm substâncias que atrapalham a absorção do ferro e pode contribuir para o surgimento de anemia e obesidade. Imagina uma criança gordinha e anêmica? Pois isso é bastante comum.

7 – Falta de rotina também é um erro muito comum. Não ter uma hora certa para fazer as refeições atrapalha o organismo infantil a se regular.

8 – Não comer legumes e verduras é um problema. Como são os alimentos mais recusados, acabam sendo pouco frequentes no prato das crianças maiores, principalmente. É preciso oferecer muita vezes um legume para se decretar que ele é rejeitado.

9 – Leite no lugar da comida. Outro erro muito comum e já escrevi sobre ele aqui.

10 – Deixar as crianças longe da cozinha. Um estudo da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que crianças que presenciam e ajudam na cozinha comem mais legumes, verduras e vegetais.

Por fim, crianças gostam de comida de sabor gostoso, assim como nós, adultos. Não adianta nada seguir as regras direitinho e ser um desastre na cozinha. Eu sou uma ex-não-cozinheira. Aprendi fazer, fazendo todos os dias. Lendo, consultando, perguntando, trocando receita, errando e acertando. Hoje, me considero uma cozinheira. Não uma cozinheira de mão cheia. Para minha enorme felicidade, Miguel e Samuel experimentaram ceviche e amaram. Uma comida difícil para o paladar infantil desacostumado a sabores variados. Isso não é ser requintado. É ser aberto para o maravilhoso mundo da cozinha.

Beijos,

Patricia