Educação e Desenvolvimento

Impressos X digitais: qual a melhor opção?

Descubra se o modo como as crianças consomem a literatura influencia nos seus hábitos de leitura

Impressos X digitais: qual a melhor opção?

Foi-se o tempo em que a literatura era consumida somente em papel. Hoje, tanto os livros infantis quantos para os adultos podem ser lidos também em dispositivos digitais, como os tablets, e-readers, notebooks ou smartphones.

As novas tecnologias influenciam nos hábitos de leitura das crianças? Qual deles é melhor: o livro impresso ou o digital? Essas são dúvidas corriqueiras de mães com filhos de uma geração que nasceu digital.

Para início de conversa, é preciso estabelecer que não há bom ou ruim quando se fala na prática da leitura. “As ferramentas de cada tecnologia devem ser usadas a favor da experiência”, afirma Renata Nakano, editora-executiva da Edições de Janeiro.

Os livros impressos possuem algumas peculiaridades de caráter manual, tátil e sensorial que fazem diferença para as crianças.

“Eles podem ser riscados, mordidos, desenhados e dobrados. Além disso, muitos deles têm recursos como texturas, cheiros ou formatos que não podem ser reproduzidos digitalmente”, afirma Sonia Dias, doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e assessora técnico-pedagógica da área de Inovação e Novas Mídias da Editora FTD.

Além disso, aprender a conservar os próprios livros é uma boa forma de ensinar as crianças a cuidar dos seus pertences.

Os livros digitais, por sua vez, podem ser uma forma dinâmica e didática da criança se interessar por literatura. Eles apresentam outras atividades, além do texto, e seu manuseio é bastante intuitivo.

Mas, por outro lado, o excesso de interação pode tirar o foco da leitura e do conteúdo.

Muitos pais e cuidadores acreditam que, com um dispositivo digital, os filhos não precisam dos adultos, o que é um grande equívoco. “É necessário destacar que, independente do formato, o mais importante é e sempre será o conteúdo”, comenta Alfredo Stahl, escritor e sócio da editora de livros eletrônicos E-stilingue.

Portanto, não é preciso separar as mídias. A Editora Bamboozinho, por exemplo, inseriu tecnologia nos livros impressos. “Para nós, a criança pode estar com o livro em uma mão e o tablet na outra”, conta Lô Carvalho, escritora e sócia-fundadora.

Os filhos da blogueira Sam Shiraishi, por exemplo, se comportam dessa maneira em casa. “Cada formato tem suas vantagens. Acredito que o livro digital e o impresso vão coexistir por muito tempo”, comenta Sonia Dias.

Leia com os pequenos

Livros impressos e digitais podem ser introduzidos desde muito cedo na vida das crianças, mas o mais importante é que os adultos leiam para os pequenos de forma a encantá-los com o universo da leitura. Isso incentiva o hábito e, quando o seu filho já souber ler, a atividade estará introduzida de maneira agradável em sua rotina.

Claudia Militão é mãe de dois meninos. Ela adotou o leitor de livros eletrônicos em sua vida, mas não abre mão dos impressos para os garotos: “Acredito que estimulam mais a leitura. Quero que meus filhos tenham contato com diferentes letras, figuras, o cheiro das folhas novas... Experimentar algo fora dos chips”, comenta.

E cabe justamente aos pais encaminharem as crianças para que tomem gosto pelas histórias em páginas de papel. “Os objetos eletrônicos serão usados cada vez mais. O livro impresso, em muitas famílias, precisa reconquistar o seu lugar. É muito importante ensinar às crianças, desde bebê, a amá-los”, afirma Lô Carvalho.

(Foto: Getty Images)