Família

Mamãe, eu quero ser grande!

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Minha filha de três anos disse que quer crescer e ser livre. Casamento? Não está em seus planos!

Mamãe, eu quero ser grande!

Viajar em família é uma delícia. Nesses momentos, temos a oportunidade de conviver intensamente com os filhos, o que sempre gera conversas interessantes. Em nossa última viagem, Catarina decidiu que era hora de crescer - atitude engraçada para um "toco de gente" de três anos e meio. Eis o diálogo que tivemos:

- Mamãe, papai, eu quero ser grande. Muito grande. Quero crescer logo e ser livre!

Obviamente, o pai, ouvindo isso de sua pequena, que saiu das fraldas outro dia, quase desmaiou com a afirmação. O que ela entenderia sobre crescimento e liberdade? Foi o que pensei e exatamente o que ele lhe perguntou:

- Catarina, você vai crescer, minha filha. Aliás, todos os dias você cresce um pouquinho. Agora me conta o que você acha que é ser grande e livre?

- Ah, papai, é poder fazer tudo o que eu quero, sem a mamãe me mandando comer, tomar banho, arrumar os brinquedos (opa, sobrou para mim! Mãe é sempre a carrasca!).

- Verdade, filha, quando você for adulta, a mamãe não vai mandar você fazer isso. Mas se você não comer, ficará fraquinha; se não tomar banho, ficará suja; e se não arrumar suas coisas, sua casa será uma bagunça, e ninguém vai gostar de ficar lá. Nem o seu marido.

- Não, papai, eu não vou me casar. Você não entendeu, eu quero ser livre!

Se o pai já estava assustado, naquele momento quase infartou. De onde vinha tamanha independência? Confesso que internamente eu estava adorando, pois a pequena demonstrava sua segurança para ganhar o mundo e procurar sua felicidade, sem amarras.

- Mas acho que você tem razão, pai. Ser adulto deve ser difícil. Porque eu mesma vou ter que me mandar fazer todas as coisas chatas. E se eu desobedecer, vou ter que que ir lá para o meu quarto pensar (quem ouve acha que eu sou uma bruxa!).

- Ué, mas você não vai ter a sua própria casa quando crescer, Catarina? - perguntei curiosa.

- Claro que não, mãe. Se eu morar longe, você não vai fazer cafuné até eu dormir, né?

Aos três anos, a lógica me parece bem razoável. O único cuidado deve ser no sentido de evitar que aos trinta ela pense da mesma forma, como vejo frequentemente por aí.

(Foto: Arquivo pessoal)