Família

Pais em delírio: a verdade sobre as apresentações de fim de ano

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Nervosismo, apreensão, alegria, realização... prepare seu coração para ver seu filho no palco!

Pais em delírio: a verdade sobre as apresentações de fim de ano

O último fim de semana foi de intensas emoções para o meu pobre coração de mãe. Digo que passei por um verdadeiro teste cardíaco: ver minha pequena Catarina, de apenas 3 anos, em um palco provocou uma taquicardia enorme, que só quem já assistiu à apresentação de fim de ano de um filho pode imaginar.

Não, não era o dia de sua formatura, muito menos a entrega do Prêmio Nobel, mas quem disse que pai e mãe precisam disso para achar que aquele dia é de uma importância imensa? Para mim bastou uma apresentação de ballet!

Pela reação das mães de suas coleguinhas, parecidas com a minha, posso dizer que a felicidade despertada por uma simples apresentação de fim de ano é um fenômeno coletivo. Pensando racionalmente, seria um dia como qualquer outro, com a diferença de que você levaria seu filho até um teatro e sentaria por cerca de uma hora para vê-lo brincar no palco. Mas o que acontece, na verdade, vai muito além disso!

O processo todo começa ainda em casa, quando você tem que pegar os milhões de itens que julga serem necessários (e joga tudo dentro de uma grande bolsa porque está atrasada!). Provavelmente, seu pequeno não usará nem metade deles, mas você coloca na bolsa uma comidinha extra, um casaco, um pacote de lenços umedecidos, uma muda de roupa, mil prendedores de cabelo, um kit de primeiros socorros, entre tantas coisas que considerou primordiais. Aí você pensa: "estou preparada para qualquer eventualidade!".

Então você chega ao local do evento e descobre, claro, que justamente aquilo de que seu filho precisa não está na bolsa. Levei mais de meia hora fazendo o coque de bailarina de Catarina em casa, porém, quando chegamos ao local da apresentação, eis o que aconteceu:

- "Mas ela deveria estar usando a rede fina no cabelo, não a grossa!" - comentou uma bailarina mais velha, já experiente.

Rede fina? Mas aquela não era a fina? Eu nem sabia que existia um outro tipo que não aquele! Quanto mais ter um exemplar na bolsa!

Só fiquei mais calma ao perceber que todas as coleguinhas de turma (que também eram estreantes no ballet) estavam com a mesma que minha filha - ou eles trocariam de todas ou deixariam a rede errada. E lá se foi o coque que eu havia feito, reconstruído para dar lugar a um outro (muito mais bonito, tenho que concordar), feito com a rede certa, que a equipe da escola providenciou.

Então vem a longa espera. Você entrega seu filho para a professora e precisa aguardar até o início do espetáculo.

Nessa hora acontece algo muito bacana: você entra em sintonia com as outras mães que também estão esperando. Todas estão ali, temerosas, ansiosas, querendo alguém para conversar. O papo corre solto, até que uma delas se lembra de que vocês esqueceram algo muito mais importante do que a rede fina do cabelo: "quem trouxe um buquê de flores para a filha? Eu esqueci!". Mãe estreante no ballet é isso: nem sabe que é tradição entregar um buquê para a bailarina ao fim do espetáculo! Celulares em punho, em poucos minutos conseguimos um convidado para trazer flores para todas - o salvador do dia!

Enfim, começa a apresentação. Nessa hora, algumas mães não conseguem conter as lágrimas (antes mesmo do filho aparecer no palco). Outras, leem dez vezes o programa, contando quantos números ainda faltam para a entrada do filho em cena. Eu, como boa manteiga derretida que sou, esperava derramar rios de lágrimas. Mas a alegria era tão grande, que não houve espaço para isso. Tive que me segurar na cadeira para não levantar no meio do espetáculo e gritar: "é minha filha!!!".

Ser mãe é isso aí - achar que a apresentação de fim de ano do filho é o maior espetáculo da Terra!

(Foto: Arquivo pessoal)

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