Família

Qual relacionamento devo ter com meu ex?

Por Helena e Joana Cardoso

A difícil medida entre ser amigo e ter um bom relacionamento

Qual relacionamento devo ter com meu ex?

Quando os pais de uma criança se divorciam, todos sabemos que o melhor para ela é que os pais tenham um bom relacionamento, que possam juntos continuar dividindo a responsabilidade sobre as decisões da vida do filho, sobre seu futuro e os limites necessários.

Entretanto, existe uma linha tênue entre ter um bom relacionamento e ser amigo. Assim, qual a medida ideal?

A criança é muito mais concreta que um adulto. Para ela, o divórcio é um tanto quanto confuso e precisa ser mostrado concretamente para que ela entenda definitivamente.

Assim, se seus pais dizem que estão separados, mas ela continua o vendo em casa de vez em quando, vai interpretar que existe esperança de seus pais voltarem a estar juntos, que é sempre o maior desejo dos filhos.

Alguns casais, após se separarem, acham que o melhor a se fazer é manter um relacionamento muito próximo ao ex-cônjuge, para dar a ilusão de que aquela família não se acabou e que, assim, o filho viva uma separação menos traumática.

Então, fazem juntos alguns programas no fim de semana ou permitem que o ex-parceiro tenha acesso à casa onde moravam para que o filho não sinta esse divórcio como uma perda. O pai que sempre colocou o filho para dormir tem então autorização da mãe de continuar fazendo-o quando quiser.

Nesses casos, o que é inicialmente um esforço para não causar sofrimento pode acabar gerando muito mais confusão. Para a crianças que vivem essa situação, ver a realidade concretamente provoca um grande alívio, apesar da dor.

A situação indefinida é causadora de grande ansiedade e desperta um sentimento de que ainda existe chance de os pais voltarem a estar juntos - e é ela a responsável por isso.

O melhor a se fazer é contar a verdade, com carinho e firmeza, e agir de acordo com a decisão.

Os pais devem mostrar, através de um bom relacionamento, que vão ser para sempre seus pais, mas que não são mais um casal, que podem, a partir de então, dar início inclusive a uma nova família. É preciso ficar claro que o filho vai sempre fazer parte dela, com a mesma importância.

Existe várias possibilidades de família e todas elas com potencial igual de amor entre seus membros. Sendo assim, o divórcio concretiza o fim da configuração anterior, mas dá início a uma nova, que pode trazer também muitas alegrias.

Por Joana Cardoso

(Foto: Getty Images)