Família

Toda mãe precisa de ajuda

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Acredite, você não precisa fazer tudo sozinha! Pedir auxílio no momento certo é bom para você e também para seu filho!

Toda mãe precisa de ajuda

Olhando para trás e analisando esses três anos da minha filha Catarina, posso dizer, com toda a certeza, que uma coisa eu faria diferente se pudesse voltar no tempo: eu teria pedido mais ajuda nos momentos críticos.

Sempre achei que uma mulher, ao tomar a decisão de ser mãe, deveria se envolver diretamente nos cuidados com seu filho. Isso significa estar presente e atuante em sua alimentação, nos cuidados com a higiene, nas brincadeiras e no desenvolvimento físico, mental e espiritual como um todo. Claro que eu continuo pensando nessa forma, mas acredito ter aprimorado minha visão sobre o assunto. Isso porque eu percebi que não existem super-mulheres, e que não é possível dar conta de tudo sozinha.

Vamos lembrar como acontecia na época de nossas mães?

A criança nascia e frequentemente uma das avós (ou ambas), se encarregavam de passar algumas horas com o bebê, durante os quarenta primeiros dias do pós-parto (afinal, a nova mãe precisava descansar!). Elas dormiam na casa do bebê (ou a criança e a mãe se mudavam por um mês para a casa de vovô e vovó), ajudavam a trocá-lo, a embalá-lo e ensinavam os truques que eram passados de geração para geração, e que davam segurança para a mulher-mãe, que também acabara de nascer.

E hoje, ainda é assim? Em algumas famílias sim, mas para mim não aconteceu dessa forma (e não foi por falta de oferecimento da avó!). Acredito que atualmente a mulher é bombardeada por uma crença cultural de que é capaz de fazer tudo sem auxílio - afinal, ela é independente, livre, decidida e uma profissional exemplar! E se ela faz tudo isso com facilidade, por que não poderia cuidar de um bebê do mesmo jeito? Simplesmente porque ser mãe é das tarefas mais árduas e difíceis que se pode encontrar na vida!

Não é fácil estar operada no pós-parto e se levantar a cada duas horas para amamentar (no meu caso, passei por um parto cesárea). Não é fácil ficar em casa dias e dias, enquanto o bebê não pode sair para um passeio. Não é fácil ouvir um bebê chorar o dia todo e não ter com quem conversar. Mas eu passei por tudo isso praticamente sozinha, por acreditar que os cuidados com Catarina eram um dever exclusivamente meu (e que deveria ser exercido vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana!).

Que espécie de mãe eu seria se não conseguisse amamentá-la, niná-la, estimulá-la? Hoje eu vejo que, com um pouco mais de ajuda, tudo teria sido muito mais fácil e prazeroso nesses primeiros meses de vida da pequena. Que bastaria ter ligado para minha mãe, minha sogra ou uma amiga, que alguém se prontificaria em ficar com minha filha por poucas horas, para que eu conseguisse dormir o quanto deveria, fazer uma refeição com mais calma ou simplesmente tomar um banho mais demorado.

Conversando durante todo esse período de maternidade com outras mães, vejo que esse é um aprendizado que para algumas (como eu), só vem com a experiência. Tanto que no segundo ou no terceiro filho, basta que alguém se ofereça para ficar com os filhotes, que a proposta já está automaticamente aceita (com direito à renegociação para prolongar a duração do passeio com a avó ou da tarde de brincadeiras na casa da tia!). Porque você aprende que ser responsável pelo filho não significa colocar todos os segundos de sua vida à disposição dele - não é saudável para você, que fica sobrecarregada, nem para ele, que perde a oportunidade de conviver mais proximamente com pessoas que também contribuirão enormemente para seu crescimento e desenvolvimento.

Ser mãe também é isso: errar quando você se esforça ao máximo para acertar. E rever conceitos, para fazer melhor a cada dia!

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