Família

Vale a pena guardar um segredo?

Por Helena e Joana Cardoso

O pior do segredo pode não ser o conteúdo

Vale a pena guardar um segredo?

Algumas famílias, com intenção de poupar um membro de uma informação desagradável, cultivam um segredo. Na maioria das vezes não é nada combinado claramente, mas é logo entendido quando se percebe o clima no momento em que se aborda o assunto.

Dessa forma, os que guardam o segredo vivem com a angústia do saber e não poder conversar sobre, e os que não sabem sentem uma angústia ainda sem nome.

É claro que os que sabem ficam em uma posição de vantagem sobre os que não receberam essa informação, criando uma relação de poder dentro do sistema.

Entretanto, independente do lado, ambos sentem o mal estar de conviver com o não dito, um eterno clima de desconfiança.

Esse acordo pode funcionar durante anos, mas alguém, em alguma geração vai denunciá-lo de alguma forma. Como nessas famílias a conversa franca não é autorizada, é provável que ele desenvolva algum sintoma como uma forma de dizer que algo não vai bem.

Situações típicas de segredos são: um filho adotado que nunca soube da sua origem, um pai infértil que se diz biológico, uma mãe que engravidou em uma traição e nunca declarou essa história, ou suicídios não revelados.

No momento em que surge o sintoma, seja uma dificuldade escolar ou um abuso de álcool, cria-se um desequilíbrio nesse sistema familiar que se apoiava no segredo.

Pode-se passar anos tratando do problema, mas a única maneira de dissolver essa situação é revelando as histórias até então encobertas e se estabelecendo o clima de honestidade e segurança.

Certamente a história mais indigesta é mais suportável que a mentira mais elaborada. O que não é dito é sentido.

Por Joana Cardoso

 

(Imagem: Free Photos)

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