Saúde e Bem-estar

Cigarro em casa? A família toda é afetada, sim!

Ter um fumante por perto significa tomar cuidados redobrados para não colocar em risco a saúde das crianças

Cigarro em casa? A família toda é afetada, sim!

Que o cigarro faz mal à saúde, todo mundo já sabe. Mas, mesmo com anúncios e campanhas espalhadas por aí, o número de fumantes no mundo cresceu 34% nos últimos 32 anos – chegando a quase 1 bilhão de pessoas. Por isso, não é difícil que dentro de casa tenha alguém que seja adepto ao tabaco.

O problema é que o fumante não prejudica somente a sua saúde, mas a de todos que convivem com ele.

“Na verdade, quem fuma absorve 25% da fumaça, enquanto os outros 75% ficam no ambiente. Ou seja, fumantes passivos são expostos três vezes mais aos efeitos do tabaco”, explica Joaquim Carlos Rodrigues, chefe da Unidade de Pneumologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.

Para uma criança, a exposição à fumaça é muito pior. Elas são mais vulneráveis porque o sistema imunológico ainda é imaturo. “Há riscos elevados de desenvolver infecções respiratórias, como bronquite, asma, rinite, sinusite e pneumonia. Existem casos até de morte súbita”, ressalta Joaquim.

Muitas pessoas costumam fumar na janela ou mesmo transformar um cômodo em um espaço para fumantes. Mas, de acordo com o médico, ainda assim o perigo continua dentro de casa. “Dificilmente a fumaça permanecerá dentro do quarto ou se dispersará para fora da janela. Quando se tem filhos pequenos em casa, não é bom correr esse risco”, adverte.

O ideal, segundo ele, é fumar longe dos pequenos, em locais abertos – como a garagem, o jardim ou parques perto de sua casa. E como todo cuidado é pouco com quem a gente ama, é sempre bom trocar a roupa antes de chegar perto da criança. “As substâncias do tabaco ficam impregnadas na vestimenta e também oferecem perigo”, alerta.

O mesmo vale para sofás, colchões, cortinas, tapetes, cobertores, entre outros itens da casa. O que não for possível lavar, deve ser aspirado e deixado em locais arejados até que o cheiro saia por completo.

Quando um dos pais fuma, além de trazer sérios riscos para a saúde dos pequenos, pode fazer com que a criança manifeste uma vontade de experimentar o cigarro também. “A grande maioria – 90% dos fumantes – começa a fumar antes dos 16 anos. Geralmente isso acontece quando os pais ou alguém da família é fumante”, destaca o médico.

De acordo com ele, o melhor exemplo para os filhos é parar de fumar, procurando algum apoio ou tratamento. “Assim se mostra para as crianças que o cigarro não é bom. É preciso fazer com que eles reconheçam os problemas e as consequências que esse tipo de droga pode trazer”, pontua.